quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Christmas Lights


Não sei bem há quanto tempo começou esta história de amor entre os portugueses e o Bacalhau. Uma espécie de enamoramento que se arrasta pelas gerações lusitanas e se prolonga pela extensão do País. As regiões, sedutoras meninas prendadas, competem pela atenção do rei e coram à sua passagem. Entra nórdico nas  cozinhas e saí português "à Narcisa", "à Brás" ou "à Gomes de Sá". Para o povo faz-se em pastel fino ou em patanisca tosca, para o fidalgo desfaz-se em lascas grossas ou em delicado filete. Moderniza-se em carpáccio, funde-se com natas, tranforma-se em empadão , internacionaliza-se em risotto e exibe-se em canapés. Ninguém fica indiferente a esta relação perfeita. Uma relação de tudo ou nada. Para mim bacalhau é tudo! Adoro bacalhau, desta forma ou de outra qualquer, espero que vocês também gostem!

BACALHAU ASSADO COM GRELOS E PURÉ DE GRÃO
Tempo de preparação: 35 minutos, mais ou menos;
Serve: 4 pessoas

  • 4 lombos de bacalhau;
  • 2 cebolas grandes;
  • 150 ml de leite;
  • 2 folhas de louro;
  • 3 dentes de alho;
  • 4 colheres de sopa de pão ralado fresco;
  • pimenta preta e sal q.b.
  • azeite de boa qualidade q.b.
  • 1 molhos de grelos;
Modo preparação:
  1. Pré-aqueça o forno a 200 Cº. Coloque os lombos de bacalhau de molho no leite temperado com pimenta e folhas de louro. Reserve.
  2. Entretanto, arranje os grelos e coza-os em água fervente com sal. Escorra-os e reserve.
  3. Regue uma assadeira com uma quantidade generosa de azeite de boa qualidade. Corte as cebolas em meia-lua e pique finamente os dentes de alho e coloque-os dentro da assadeira por cima do azeite. De seguida, disponha o bacalhau e regue com o leite. Finalmente, coloque por cima de cada lombo uma colher de pão ralado fresco e leve ao forno durante cerca de 30 minutos, ou até estar dourado. (o bacalhau está pronto quando o azeite que o rodeia começar a fazer uma espécie de espuma)
  4. Enquanto o bacalhau assa, prepare o puré de grão.
  5. Sirva em camadas, iniciando com o puré de grão, seguido dos grelos e terminando com o lombo de bacalhau.

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

12 Day of Christmas

Não é segredo para ninguém o quanto eu gosto de Festas. Não sei bem se este é um gosto que não escolhi ou se é um prazer que escolhi gostar. Sei é que gosto. Que gosto muito. Da mais intima comemoração de Amigos ao alargado festejo de uma Comunidade, são encontros que depressa transformo  em festa, pois são o melhor pretexto para partilhar alegria. Nesta época do ano, em que Festa é a palavra que a define, os encontros multiplicam-se e as atenções dividem-se entre mil e uma partilhas. Quando era miúda uma das coisas que mais ilusão me fazia era a Festa de Natal. Não uma Festa de Natal qualquer, senão a Festa de Natal da empresa onde a minha Tia trabalhava. Palhaços, acrobatas, músicos, bailarinas, guloseimas, serpentinas e presentes, eram os ingredientes de uma receita de sucesso que, ano após ano, não me cansava de  degustar. Uma excitação partilhada com outros  pequenitos seres submersos entre fitas e laços, sacos e papeis. A Festa de Natal da empresa era mais do que uma festa: era um festival. Na minha pequena cabeça, imagina que aquela era a mais fiel reprodução de um espectáculo televisivo que podia existir. E eu estava lá. Durante muitos anos, as empresas do nosso País cultivaram este modelo de Festa de Natal.  A Festa era um dado adquirido, um produto pronto, um encontro organizado, uma partilha estabelecida, a que já poucos pareciam dar valor. Em tempos de crise, a Festa de Natal das empresas quase deixou de existir. Mas foi preciso surgir um obstáculo aos palhaços, às bailarinas, às guloseimas, aos músicos e aos presentes, para percebermos que é a nossa capacidade de desejar, de sonhar, de querer, que não deixam a Festa desaparecer.



BOLACHAS DE TANGERINA
(adaptado do Livro Cozinha para Quem quer Poupar de Mafalda Pinto Leite)
Tempo de preparação: 15 minutos + 30 minutos refrigeração + 10 minutos cozedura
Serve: 80 bolachas (depende do tamanho dos cortadores)

  • 250 gr de manteiga à temperatura ambiente;
  • 2 gemas;
  • 200 gr de açúcar;
  • 250 gr de farinha sem fermento;
  • 125 gr de farinha com fermento;
  • raspa de 4 tangerinas;
  • 3 colheres de sopa de casca de laranja cristalizada triturada;
  • 2 colheres de sopa de sementes de papoila;
  • açúcar em pó para polvilhar;
Modo de preparação:
  1. Bata a manteiga com o açúcar até obter uma massa homogénea e fofa. Sem parar de bater junte as gemas, uma a uma, e as casacas de laranja trituradas e incorpore bem. Finalmente, junte as farinhas peneiradas e as sementes de papoila, e bata até a farinha começar a aderir. Forme dois discos de massa e envolva-os em película aderente. Leve ao frigorífico por, pelo menos, 30 minutos.
  2. Pré-aqueça o forno a 180 C.º. Prepare tabuleiros para ir ao forno, forrados com papel vegetal.
  3. Estique a massa entre duas folhas de papel vegetal e corte dom os cortadores de Natal (estrelas, pinheiros, veados, bonecos de neves, flocos, etc...ou com os cortadores da sua preferência). Transfira para os tabuleiros e leve ao forno por 10 minutos, ou até estarem firmes, mas não douradas.
  4. Retire dos tabuleiros e deixe arrefecer em grades. Polvilhe com açúcar e sirva, ou ofereça, ou venda para angariar fundos para a Festa de Natal da sua empresa!
NOTA: Etiquetas elaboradas pela Raad Design.

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Christmas Dream


Há Povos que consideram o sonho um recurso e fazem da criatividade a sua marca no Mundo.  Frases como " I have a dream" ou "Yes We can" tiveram a capacidade de encher de esperança e despertar o ser criativo de um povo.  Ao contrário, quando em épocas de crise outros povos abrem a cela e deixam sair à  rua a prudência, a desconfiança e o receio, a criatividade sentindo-se ameaçada, foge e esconde-se. Na tentativa de acelerar o ritmo do Mundo, talvez acreditando que a velocidade dos acontecimentos está em relação oposta com a criatividade, cada um de nós cria o menos possível e espera o mesmo dos outros. Restringe a sua actuação ao mínimo possível, à rotina, ao "só porque tem que ser". Não idealiza grandes, nem sequer pequenos, projectos, não acredita neles e vai mais longe: desdenha de quem o faz. Talvez seja por isso que o Natal deste ano seja, para mim, ainda mais especial. Porque me faz sonhar, porque me enche de esperança e optimismo. Porque traz luzinhas mil a sítios onde antes só havia escuridão, porque puxa as pessoas para às ruas outrora desertas e porque transforma o negro da crise em vermelho vivo! E a minha casa também!



CREME DE ABÓBORA E TOMATE
(ligeiramente adaptada do Livro Doze Meses na Cozinha)
Tempos de preparação: 4o minutos;
Serve: 4 a 6 pessoas;

  • 750 gr de abóbora descascada;
  • 10 colheres de sopa de tomate em pedaços;
  • 1 cebola grande;
  • 1 colher de sobremesa de açúcar;
  • 2 gemas;
  • 50 gr de manteiga;
  • 1 litro de água;
  • sal e pimenta preta q.b.
Modo de preparação:
  1. Corte a abóbora em cubos e a cebola em rodelas finas. Coloque numa panela a abóbora, a cebola e os pedaços de tomate. Leve a lume brando e deixe cozer durante cerca de 20 minutos. Assim que estiver cozido, passe com uma varinha mágica ou copo misturador e vá juntando a água a ferver, aos poucos, até obter a consistência desejada.
  2. Leve ao lume novamente e deixe ferver durante cerca de 2 minutos. Junte a manteiga e as gemas batidas, com cuidado e mexendo sempre para que fique tudo muito bem ligado.
  3. Sirva com croutons ou polvilhe com salsa se gostar e aproveite bem esta época de sonho e puxe pela sua criatividade para fazer o Mundo pular e avançar!

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Baby please come home!

Gosto de estar rodeada de pessoas. Gosto do barulho surdo das gargalhadas, da sobreposição das palavras, do eco dos  interesses. Gosto do carinho dos gestos e gosto do calor dos abraços. As pessoas que me rodeiam são a minha rede de segurança. Uma malha apertada, uma rede de Amigos que me amparam quando os pés ameaçam escorregar no trapézio da vida. Esta malha invisível começa na minha casa, saí porta fora e sobe no elevador do meu prédio, estica-se pelos quarteirões desta cidade, cresce pelo País fora e até atravessa fronteiras. Procuro fortalecer esta malha todos os dias, a cada novo encontro, a cada nova pessoa. Quando há um laço que se quebra, há outro que fica mais forte. Nesta época de Festas recordo todos aqueles que seguram as pontas da rede e estão longe. Suplico que voltem e fico saudosa da sua companhia.  Talvez por isso me tenha lembrado de publicar um acompanhamento, porque ninguém é feliz sozinho! 

BATATINHAS NOVAS ASSADAS
(ligeiramente adaptado da Revista Blue Cooking n.º 34)
Tempo de preparação: 10 + 45 minutos;
Serve 4 pessoas

  • 500 gr de batatinhas novas;
  • 2 dentes de alho esmagados;
  • 1 colher de café de pimentão doce;
  • 60 ml de vinho branco;
  • 2 colheres de sopa de azeite;
  • 2 folhas de louro;
  • sal, pimenta preta q.b.
Modo de preparação:
  1. Pré-aqueça o forno a 190 C.º.
  2. Lave as batatas. Deixe as mais pequeninas inteiras e corte as maiores em quartos. Tempere as batatas com sal, pimenta e pimentão doce. Regue com o vinho e com o azeite. Junte os dentes de alho e o louro. Leve ao forno durante cerca de 45 minutos ou até estarem douradas. Enquanto assam, vá dando voltas às batatinhas e regando com o molho.  
  3. Quando servir regue com um fio de azeite.

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Let it snow!



Está oficialmente aberta a Época das Festas. Ainda que eu não seja uma pessoa rotineira, devo admitir que há certos hábitos que gosto de repetir uma e outra vez, ano após ano. Gestos, movimentos, formas de agir que ,em determinados dias do ano,  são ditados pelo rigor do calendário. O dia 1 de Dezembro é um desses dias cheio de rituais carregados de simbolismo. É um dia destinado a não mudar. É um dia quase automático, quase sem pensar, quase rotineiro. É um dia de enfeites de Natal, de lista de compras, de estrela no topo da árvore. É um dia de forno ligado, de lareira acesa, de coisas doces na mesa, de visitas queridas e de primeiros presentes. Está oficialmente aberta a época das Festas e eu adoro! 


BOLINHO DE MAÇÃ COM VINHO DO PORTO
Tempo de preparação: 10 + 30 minutos de cozedura.
Serve: 10 bolinhos

  • 5 maçãs descascadas;
  • 60 ml de vinho do Porto;
  • 4 ovos;
  • 250 gr açúcar;
  • 150 gr manteiga;
  • 200 gr farinha;
  • 1/2 colher de chá de fermento em pó;
  • 1/2 colher de chá de canela moída;
  • 1/2 colher de chá de cardamomo moído;

Modo de preparação:
  1. Pré-aqueça o forno a 190 Cº. Coloque as maçãs descascadas e laminadas numa tigela com o vinho do porto e com a canela e o cardamomo. Reserve.
  2. Entretanto, com a ajuda de uma batedeira eléctrica, misture o açúcar com a manteiga. Separe as gemas das claras e incorpore as gemas uma a uma, sem deixar de bater até obter uma mistura homogénea e esbranquiçada. Junte o vinho do porto onde as maçãs estiveram a macerar e reserve apenas as lâminas de maçã. Por fim, incorpore a farinha e o fermento peneirados.
  3. Bata as claras em castelo. Incorpore delicadamente as claras no preparado anterior.
  4. Unte bem 10 forminhas de bolinho, de tarte, ou de queque se preferir, e deite a massa de bolo em cada uma delas, tendo em conta que a massa irá subir. Disponha as maçãs laminadas no topo de cada bolinho e leve ao forno cerca de 30 minutos ou até estar dourado. Se preferir pode fazer em forma de bolo, deixando mais uns minutinhos no forno.
  5. Desfrute deste bolinho com um cálice de Vinho do Porto, ou ofereça a alguém querido...

Nota: As etiquetas para presentes de Natal foram carinhosamente desenhadas pela Raad Design.

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

One

No fim-de-semana que passou, decorreu nas grandes superfícies comerciais mais uma acção do Banco Alimentar contra a Fome. Enquanto esperava a minha vez na fila da caixa, pude observar atentamente as movimentações em torno do peditório. Jovens fardados, acenando com os seus trajes a mensagem moral da generosidade, dirigiam-se em passinhos lentos e medrosos aos consumidores. Envergonhados, iam envergando as sacas brancas e azuis. Temendo a indiferença, iam sorrindo aos que escutavam a urgência dos seus apelos. Admiro estas pessoas. Aplaudo esta gente que, por mais generosa que seja, fica sempre com a sensação de não ter dado o suficiente. Pensa nos outros, identifica-se com os seus problemas, compreende as suas reivindicações, sente a fome como se fosse a sua, e pede como se precisasse de comer. Felicito esta gente generosa que pede para os outros a medo e saúdo este povo que dá por si com coragem. Em tempos que se afirmam difíceis, satisfaz-me ver pessoas que negam a fome. Pessoas que não medem a generosidade em moedas e praticam aquilo em que acreditam: o amor ao próximo.

PEITO DE FRANGO RECHEADO COM ALHEIRA E ESPINAFRES
(Adaptado da Revista Blue Cooking n.º51)
Tempo de preparação: 40 minutos
Serve: 4 pessoas

  • 4 peitos de frango;
  • 1 alheira de caça;
  • 250 gr de folhas de espinafres;
  • 6 dentes de alho;
  • 1 colher de chá de pimentão doce;
  • 30 ml de vinho branco;
  • 4 folhas de louro;
  • azeite, sal e pimenta q.b.;
Modo de preparação:
  1. Tempere os peitos de frango com sal, pimenta preta, folhas de louro, pimentão doce, 4 dentes de alho picados, duas colheres de sopa de azeite e vinho branco e deixe repousar. Entretanto, coza a alheira em água durante 2 minutos. Retire o recheio da alheira e reserve.
  2. Salteie os espinafres num frigideira com um fio de azeite e com os restantes dentes de alho finamente picados.
  3. Faça uma abertura nos peitos de frango, formando uma espécie de envelope e recheie com a alheira cozida e os espinafres. Ate com fio de cozinha e leve ao forno durante cerca de 30 minutos, ou até estar dourado e cozinhado. Vá regando com um pouco do molho da marinada, sempre que lhe parecer necessário.
  4. Sirva acompanhado com arroz branco ou salada e brinde à generosidade. 

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

You´ve got to hide your love away

Ouvi os já habituais comentários sobre a greve geral. Como de costume, fiquei intrigada e não consegui evitar um leve sorriso de troça. Nunca gostei de números. Ensinaram-me que os números são o que são. Não se adjectivam, não se abrilhantam e ,só por si, raramente se interpretam. Talvez por isso me tenha deixado seduzir pelas figuras de estilo. Foi preciso crescer para perceber que afinal, os números também têm leituras diferentes consoante os olhos de quem os lê. Também se manipulam, também se enfeitam, e também confirmam apenas a realidade que quem os lê quer ver. É sempre o que acontece com os números da Greve. Há quem acredite que lendo os números de trás para a frente, ou de cima para baixo, altera a realidade. Há quem comente cinicamente sobre o sindicalismo, pensando que com as suas prepotentes leituras dos números, altera as somas das palavras. Dignidade, Protesto, Inconformismo são palavras que os números de ontem não conseguiram calar. Existem. São o que são. Não precisam de figuras de estilo. A sua soma aritmética é igual ao Protesto sindical. Nos dias que correm, em que já todos percebemos que a lógica dos direitos laborais só vale enquanto a lógica da economia deixar, protestar abertamente, sem vergonha, sem medo, é a única forma de expressão que resta a quem trabalha. Independentemente de profissão, de salário, de contrato, de horário e de quadrante politico. Acredito que, como já alguém escreveu por aí, "o protesto sindical é a única manifestação de força que equilibra e impede os desequilíbrios" do poder....por mais picante que ele seja!


FARFALE PICANTE COM BRÓCULOS E ANCHOVAS
(adaptado do Livro Na Cozinha com Jamie Oliver de Jamie Oliver)
Tempo de preparação : 15 minutos
Serve: 4 pessoas


  • 450 gr massa  farfale;
  • 2 dentes de alho;
  • 1 e 1/2 malagueta fresca sem sementes;
  • 15 filetes de anchovas;
  • 2 molhos de bróculos;
  • 2 colheres de sopa de azeite;
  • uma mão cheia de pinhões torrados;
  • sal e pimenta preta moída na hora;
  • queijo parmesão para servir ;
Modo de preparação:
  1. Numa panela com água a ferver, coza a massa com sal, segundo as instruções da embalagem.
  2. Entretanto, arranje os bróculos em raminhos e pique os caules finamente. Pique o alho e corte a malagueta em tiras finas. Leve uma frigideira ao lume com o azeite, a malagueta , as anchovas e o alho, e assim que ganhar cor e as anchovas se desfizerem, junte os bróculos, reduza o lume e deixe estufar, juntando um pouco de água da cozedura da massa.  Vá juntando um pouco mais de água da cozedura da massa se achar necessário. Quando os bróculos estiverem cozidos, esmague-os um pouco com um garfo. Reserve.
  3. Escorra a massa. Envolva a massa com o molho de bróculos picante e leve ao lume por um minuto. Tempere com pimenta preta, polvilhe com queijo parmesão e adicione os pinhões torrados.
  4. Sirva e não deixe de manifestar livremente aquilo em que acredita!