quinta-feira, 21 de outubro de 2010

By this River

Às vezes seguimos o trilho. Sem nos questionarmos, caminhamos segura e lentamente pela margem do Rio. Não queremos atravessar  e ver o que há do outro lado. Não pensamos em seguir com a rapidez da corrente. Seguimos só o trilho, pensando não ter a certeza de que esse é o nosso caminho. Um dia, um desses dias iguais aos outros, perdemos o rasto do trilho. Ficamos perdidos, sem saber para onde ir. Nesse dia, como em todos os outros, só temos que ver para onde o nosso coração nos puxa,  escolher qual o nosso caminho, e segui-lo com todas as nossas forças. Há quem fique na margem, há quem atravesse a ponte, há quem se deixe seduzir pela rapidez da corrente. Qualquer destas decisões envolve coragem. Coragem para seguir em frente. Coragem para mudar de margem. Coragem para seguir com o ritmo da corrente. Desde que a decisão seja feita com o coração, é sempre motivo para comemorar....a coragem de questionar, de escolher e decidir. Nada melhor que uma sobremesa de Outono para ajudar!

SORBET DE IOGURTE COM CALDA DE PÊRA:
Tempo de preparação: 20 minutos + refrigeração.
Serve: 6-8 pessoas;

  • 600 gr de pêras;
  • 200 ml + 350 ml água;
  • 100 gr + 200 gr açúcar;
  • raspa + sumo de 1 limão;
  • 350 ml de espumante;
  • 5 cravinhos;
  • 2 paus de canela;
  • 2 hastes de tomilho;
  • 100 ml natas frescas;
  • 325 gr iogurte natural;
  • 250 dr de queijo fresco;
Modo de preparação:
  1. Comece pelo sorbet.Coloque numa panela 350 ml de água e 200 gr açúcar. Leve a ferver durante 3 minutos. Retire do lume, deixe arrefecer e junte o sumo de limão. Enquanto arrefece, misture o iogurte com o queijo fresco e por fim a calda de açúcar arrefecida. Coloque na máquina de fazer gelados, e proceda de acordo com as instruções.
  2. Entretanto prepare a calda de pêra. Coloque numa panela 200ml de água, 100gr de açúcar e a raspa de limão. Leve ao lume e deixe ferver durante cerca de 5 minutos. Descasque e parta em pedaços as pêras. Junte à calda de açúcar, as pêras, o cravinho, a canela, o tomilho e o espumante. Deixe ferver em lume brando durante 10 a 15 minutos, ou até que os pedaços de pêra estejam bem cozidos. Retire as especiarias e triture com uma varinha mágica. Deixe arrefecer e incorpore as natas. Leve ao frigorífico.
  3. Sirva o sorbet com a calda de pêra salpicada com pedaços de amêndoas, nozes ou avelãs, consoante o caminho que o seu coração lhe disser para seguir!

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

The Thrill Is Gone ?

Longe vai o tempo em que só se cozia Pão uma vez na semana. O "Pão nosso de cada dia" era benzido antes de ir para o forno, retirado  com cuidado, embrulhado com candura, guardado em sigilo e venerado na mesa. Num País onde o Pão é quase uma religião, "não há mesa sem Pão", nem que seja "o que o Diabo amassou".  Cada região tem o seu e faz gala disso. Não há açorda sem Pão Alentejano, nem sarrabulho sem Broa. Nas romarias é Rei, com fêveras ou sardinhas, nos banquetes é Príncipe com miniaturas de preguinhos. E, perdoem-me os franceses, pois Deus sabe o que gosto de baguettes, mas não há como o Pão de Mafra ou a Broa de Avintes.  Mas, neste País em que uma Padeira fez história, e uma Rainha fez milagres, já não se coze Pão uma vez na semana. Coze-se todos os dias e a cada cinco minutos. Um Pão sem alma, e sem sabor, que chega congelado em tabuleiros ordenados, e parte em sacos de papel impessoais. Bem sei que ao aroma do Pão quente ninguém consegue resistir, mas a verdade é que o sabor não nos pode enganar! Custa-me ver que há cada vez menos padarias,  que os portugueses sucumbiram ao pão mole ensacado, enriquecido e conservado. Eu adoro Pão. Pão a sério, que deixa migalhas quando se parte e deixa saudades quando não há. Gosto do pão tradicional, fresco ou torrado com manteiga. Mas também gosto do Pão moderno, com mil sabores a acompanhar. Esta é uma das minhas receitas de pão predilecta...espero que gostem!



PÃO DE TOMATE SECO E ALECRIM
Tempo de preparação: 15 minutos + 90+45 minutos de levedura + 20 minutos de cozedura;
Serve: 12 pães;
 
  • 15 gr de fermento de padeiro;
  • 15 gr de açúcar;
  • 15 gr de sal;
  • 300 ml de água;
  • 500 gr farinha sem fermento;
  • 2 colheres de sopa de alecrim;
  • 10 tomates secos cortados em pedaços;

Modo de preparação:
  1. Dissolva o fermento e o açúcar na água morna. Atenção à temperatura da água, pois se estiver muito quente impede que o fermento exerça a sua função. Tape com um pano húmido e deixe repousar durante 5 minutos ou até que apareçam borbulhas na superfície;
  2. De seguida, numa tigela grande, misture a farinha com o sal, o tomate seco e o alecrim, cortados. Faça uma cova no centro e deite a água com o açúcar e o fermento. Faça movimentos rápidos para misturar tudo.
  3. Deite esta mistura numa superfície limpa e amasse durante cerca de 10 minutos. Ajuste com mais farinha se lhe parecer necessário. Esta é a parte mais divertida! Se não achar graça nenhuma...utilize uma batedeira eléctrica na opção gancho.
  4. Coloque a massa levemente enfarinhada numa tigela. Dê uns golpes na massa e cubra a tigela com película aderente. Deixe repousar em local quente durante 60-90 minutos, ou até que duplique o seu tamanho.
  5. Depois de ter duplicado o seu tamanho, divida a massa em mais ou menos 12 porções, com o mesmo peso. Lembre-se que vão duplicar de tamanho! Com as mãos, forme rolinhos que serão pequenos pães. Polvilhe um tabuleiro com farinha de milho e disponha os pães no tabuleiro enfarinhado, com distância entre eles suficiente para que não se colem quando crescerem. Coloque o tabuleiro num local resguardado de correntes de ar e tape com um pano. Deixe levedar cerca de 45 minutos ou até que o tamanho duplique.
  6. Aqueça o forno a 230 Cº. Entretanto, pincele os pães com água e introduza-os no forno. Um truque que utilizo para que os pães fiquem dourados é colocar uma travessa com água a ferver dentro do forno. Só assim consigo gerar a humidade típica dos fornos industriais das padarias. Sem este truque, os pães ficam cozidos e saboreados, mas não lindos, dourados e estaladiços.
  7. Coza os pães durante cerca de 25 minutos ou até que fiquem dourados. Saboreie pão acabado de fazer...com alma e sabor!

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Where all the good people go?



Dizem que a chamada classe média está a desaparecer. Eu tenho uma Amiga que discorda. Com seu sorriso característico - uma simbiose, quase perfeita, entre a troça e o triunfo - costuma afirmar, convictamente, que a classe média nunca desaparecerá. A classe média está a sofrer uma transformação, afirma. Passou de classe média a classe low cost. Uma classe social que procura sempre o melhor sem ter de pagar muito por isso. A classe low cost tem uma voracidade consumista crescente, procura alargar, indefinidamente, o leque de bens e serviços de luxo que a pode ter acesso a baixo custo. É uma classe com tendência natural para o consumo, e que não reconhece outros valores que não o baixo preço de um produto, acrescenta. Quanto a mim, não sei se a classe média está a desaparecer ou se está em mutação. Nem sequer sei se a classe low cost resulta de uma democratização dos bens e serviços, ou se é consequência natural do capitalismo. O que eu sei é que quando decido gastar o meu dinheiro num produto luxuoso e requintado, não é o preço que determina a minha escolha, é a qualidade. Acredito que a classe média esteja, hoje mais do que nunca, a consumir excessivamente. Mas, não creio que os seus valores se tenham alterado de tal forma que o preço baixo seja o único factor determinante das suas escolhas. De uma forma ou de outra, cozinhar em casa com requinte é um luxo acessível que eu gosto de ter. Será que isso faz de mim uma pessoa low cost? E vocês?


CANNELLONI DE ABÓBORA, RICOTA E ESPINAFRES
(Adaptada do Livro Dias com Mafalda, de Mafalda Pinto Leite)
Tempo de preparação: 45 minutos;
Serve: 4-6 pessoas;

  • 10 folhas de lasanha de massa fresca;
  • 400 gr de queijo ricota, ou requeijão;
  • 500 gr de espinafres;
  • 750 gr de abóbora;
  • 50 + 75 gr de manteiga;
  • 3 dentes de alho;
  • 75 gr queijo parmesão + 4 colheres de sopa extra para polvilhar;
  • 3 colheres de sopa de nozes inteiras+ 2 colher de nozes picadas extra;
  • 1 pitada de noz moscada;
  • 2 folhas de louro;
  • 750 ml de leite
  • 75 gr farinha;
  • 2 colheres de sopa de azeite;
  • uma mão cheia de oregãos;
  • sal e pimenta preta acabada de moer;
Modo de preparação:
  1. Corte a abóbora em cubos. Numa panela em lume médio, derreta a 50 gr de manteiga e adicione dois dentes de alho e a abóbora e deixe estufar por alguns minutos, até a abóbora estar mole. Tempere com sal, pimenta preta acabada de moer, noz moscada e oregãos e retire do lume quando estiver cozida. Deixe arrefecer ligeiramente.
  2. Entretanto, aqueça o azeite e um dente de alho e adicione os espinafres até murcharem e toda a água evaporar. Tempere com sal e pimenta e reserve.
  3. Num robot de cozinha bata a abóbora, as nozes, o queijo parmesão até ficar cremoso, mas ainda com alguns pedaços. Deite para uma tigela e misture com o queijo ricota.
  4. Aqueça o forno a 180cº e entretanto faça o molho branco. Leva os restantes 75 gr de manteiga ao lume médio. Assim que estiver derretida junte a farinha e mexa até ficar homogéneo. retire do lume e adicione ,aos poucos, o leite, mexendo para não formar grumos. Coloque o louro, uma pitada de noz-moscada e leve a ferver durante cerca de 5 minutos.
  5. Finalmente, estenda as folhas de lasanha e coloque uma camada de recheio de abóbora e ricota e uma camada de espinafres na ponta das folhas, enrolando para formar um cannelloni. Repita este processo até ter todas as folhas recheadas. Disponha-as num, prato de ri ao forno, cubra com o molho branco, polvilhe com queijo parmesão extra e nozes picadas, se gostar.
  6. Leve ao forno por 35 minutos, ou até estar dourado. Sirva acompanhado por um vinho da sua eleição, e aproveite uma refeição low cost!

domingo, 10 de outubro de 2010

With A Little Help From My Friends


Bem sei que os sentimentos não se quantificam. Não há balança, colher ou copo medidor que nos valha. É difícil dizer ao certo, com precisão, quantos Amigos temos. Nos dias que correm, a palavra Amizade pode ter inúmeros significados. Serve para distinguir o Colega, o Vizinho, o Conhecido, o Sócio, a Pessoa Simpática, e todos aqueles que estão por perto. Todo o circulo social em que, hoje, estamos envolvidos nos vai trazendo mais, e mais, Amigos. Mas, intuitivamente, sabemos que a Amizade é mais do que um simples clique com o rato no botão azul de uma rede social. A palavra Amizade traz-nos à memória um sentimento terno, sereno, límpido, feito de certezas e confiança. No seu significado mais restrito, os Amigos são aqueles que admiramos, aqueles com quem nos sentimos bem. Li algures que "Amigo é aquele a quem agrada e que deseja fazer bem a outro e que espera que os seus sentimentos sejam retribuídos". A Amizade é sincera e altruísta, mas também exigente. A Amizade é aberta, divertida, mas também atenta. A Amizade não vive só de conversas e confidências, mas de gestos e de atitudes....e de doçura, como esta compota que fiz para dar os Parabéns a dois queridos Amigos pelos seus aniversários!


COMPOTA DE ABÓBORA
Tempo de preparação: 1hora
Serve: 500 ML

  • 1 kg de abóbora;
  • 450 açucar;
  • 125gr amêndoas torradas;
  • 1 colher chá de canela;
  • 1 colher de chá de cardamomo;
Modo de preparação:
  1. Corte a abóbora em quadrados pequenos e coloque-a num tacho com o açúcar, a canela e o cardamomo e leve a lume brando e deixe cozer. Aumente a temperatura e deixe ferver com intensidade até que a abóbora esteja cozida e tenha engrossado.
  2. Retire a mistura do lume e adicione a amêndoas torradas. Deite em francos esterilizados, vede bem e cuide dos seus Amigos!

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Yellow Submarine



Entrei no carro apressada e liguei o rádio. Enquanto ouvia aquelas vozes, tristemente familiares, debitarem as medidas orçamentais do Estado Português para o próximo ano, tentava fazer contas à vida. Ao contrário do que é costume, não precisei de me socorrer de calculadora, bastou-me a memória. Eram contas fáceis e o resultado era certo: ficamos mais pobres. Todos. Sem excepção. Uma pobreza partilhada. Uma pobreza sistematicamente adiada. Uma pobreza irresponsavelmente escondida. E o pior de tudo: uma pobreza instalada. Agora, de nada adiantam indicadores simpáticos sobre a economia portuguesa, pois bem sabemos que não são reais. Basta fazer contas à vida - essa vida que vivemos todos os dias, que nos transporta, nos alimenta, nos trata, nos educa, nos calça e nos veste. As contas diárias da vida real há muito que nos mostram que estamos mais pobres. Não adianta fazer de conta que não é nada connosco, sacudir a água do capote, ou ao jeito do senhor Primeiro-Ministro, falar de submarinos quando a pergunta era sobre salários. Não adianta reagir com uma atitude de ignorância altiva, mas antes adoptar uma postura de humildade informada. Nestes tempos difíceis que se avizinham, a calculadora será o nosso melhor aliado, e só queremos receitas deliciosas e baratas...como esta!


EMPADÃO DE PEIXE
(Adaptada do Livro Dias com Mafalda de Mafalda Pinto Leite)
Tempo de preparação: 45 minutos;
Serve: 4 pessoas;
  • 1,5 kg de batatas;
  • 50+ 500 ml de leite;
  • 50 + 75 gr de manteiga;
  • 75 gr farinha;
  • 500 gr pescada;
  • 200 gr bacalhau demolhado;
  • 1 cenoura ralada;
  • 4 ovos;
  • 200 gr de espinafres;
  • 2 folhas de louro;
  • 1 pitada de noz-moscada;
  • 1 colher de chá de mostarda;
  • sal, pimenta q.b.

Modo de preparação:
  1. Corte as batatas e o peixe em pedaços. Desfie o bacalhau. Coloque as batatas e os ovos numa panela com água e sal a ferver e deixe-as cozer, até estarem moles. Escorra bem. Adicione 50 gr de manteiga, 50 ml de leite e uma pitada de noz-moscada e faça um puré.
  2. Entretanto, derreta 70 gr de manteiga em lume brando. Adicione a farinha e mexa até formar uma pasta. Cozinhe mexendo sempre, cerca de 2 minutos. Retire do lume e adicione os 500 ml de leite aos poucos até obter um molho cremoso. Leve a lume brando novamente, adicionando uma pitada de noz-moscada e as folhas de louro, deixando borbulhar por alguns minutos. Acrescente uma colher de chá de mostarda e deixe arrefecer ligeiramente.
  3. Pré-aqueça o forno a 200ºC. Coloque a cenoura ralada, os espinafres, o peixe, o bacalhau e os ovos numa travessa de ir ao forno. Regue com o molho branco e misture tudo. Finalize com o puré de batata. Disponha pequenas nozes de manteiga por cima do puré e leve ao forno por 30 minutos, ou até estar com um dourado.
  4. Sirva e delicie-se. Afinal, só o Primeiro-Ministro é que ainda não se deu conta de que estamos todos no mesmo submarino?

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Beautiful Day




Esta podia ser apenas mais uma segunda-feira de Outono. Mais um dia de inicio de semana, como tantos outros. Se hoje não fosse o dia 4 de Outubro de 2010, seria apenas isso e mais nada. Mas, hoje comemoro mais um aniversário de casamento. Celebro o meu percurso de felicidade e queria partilha-lo convosco. Não posso dizer-vos o tempo, o grau de dificuldade, nem o modo de preparação de um casamento feliz, pois este é um prato que espero levar toda a minha vida a preparar. Amor, desejo, carinho, compreensão, tolerância, são alguns dos ingredientes que fui adicionando. Misturei também paciência, uma pitada de mistério, e uma mão cheia de boa-disposição. Levei ao lume bem alto e deixei levantar fervura, apurei o paladar, provei, rectifiquei os temperos e.....servi!


CREME DE COUVE-FLÔR, ALHO FRANCÊS E PISTÁCHIOS
(Adaptado da Revista Saberes e Sabores)
Tempo de preparação: 20 minutos;
Serve: 4 a 6;


  • 75 gr de manteiga;
  • 1 colher de sopa de azeite;
  • 1 couve-flôr;
  • 2 alhos-franceses;
  • 750 ml de caldo de galinha;
  • 250 ml de leite;
  • 2 colheres de sopa de farinha;
  • uma mão cheia de pistácios descascados;
  • sal e pimenta q.b.

Modo de preparação:

  1. Derreta a manteiga e o azeite em lume brando. Entretanto, corte o alho-francês em rodelas, separe a couve-flor em ramos, lave os legumes e adicione-os à manteiga deixando estufar em lume muito brando cerca de 10 minutos;
  2. Aqueça o caldo e o leite. Polvilhe os legumes estufados com a farinha,regue com o caldo e leite quentes, e mexa. Triture tudo com a varinha mágica e deixe ferver durante 5 minutos. Rectifique os temperos e acrescente mais água se achar necessário.
  3. Sirva polvilhado com pistáchios triturados.....

    [UPDATE: com esta receita participo no Festival das Sopas que o Blog Delicias e Companhia promove. Podem ver aqui dezenas de receitas de sopas deliciosas!]

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Where is my mind?


Não há dúvidas: cada louco com a sua mania . Eu sei que esta é uma ideia da sabedoria popular, mas não é por isso que deixa de ser verdadeira. Eu tenho, confessadamente, manias. Manias um pouco bizarras que facilmente me classificam como louca. Adivinho sobrancelhas franzidas e sorrisinhos malandros. Aquela malandrice inocente das crianças que até o olhar mais distraído é capaz de adivinhar. Não é caso para menos. Vou revelar-vos uma coisa: tenho a mania de que o Outono começa no primeiro dia de Outubro. Até vos digo mais. Basta virar a página do calendário para começar a sentir a brisa mais fria e os dias mais curtos. Manias, bem sei. Em Outubro, cheira-me sempre a castanhas e apetece-me comida suculenta e reconfortante. Ouço o estalar das folhas secas que piso, por graça, enquanto caminho pelas ruas de sempre. Vejo mil e uma cores de Outono em todo o lado e não consigo pensar noutra coisa que não seja em cogumelos e caça. A receita que vos deixo aqui neste primeiro dia do mês de OutonoOutubro, celebra a chegada desta estação, e celebra,sobretudo, as manias que fazem de todos nós um pouco loucos!

TAGLIATELLE COM CONFIT DE PATO E ESPINAFRES

(Adaptada de uma receita de Ratolo de Confit de Pato do Chef Camilo Jaña)
Tempo de preparação: 30 minutos;
Serve: 4 pessoas;


  • 400 gr tagliatelle;
  • 250 gr confit de pato desfiado;
  • 150 chalotas;
  • 1 talo de aipo;
  • 200 gr espinafres cozidos;
  • 30 gr de cogumelos porcini secos;
  • 3 colheres de sopa de azeite;
  • 1 dente alho;
  • sal e pimenta q.b.;
Modo de preparação:
  1. Comece por desfiar o confit de pato. De seguida, hidrate os cogumelos em água morna, deixe repousar uns minutos e depois escorra, removendo as impurezas.
  2. Coza a massa até ficar al dente. Entretanto, pique finamente o aipo, o alho, as chalotas, os espinafres e os cogumelos porcini. Deite numa panela e aqueça o azeite em lume médio alto, junte o alho, as chalotas e o aipo. Junte também os cogumelos e deixe alourar durante cerca de 5 minutos. Finalmente, acrescente o pato muito bem desfiado e os espinafres. Rectifique os temperos e reserve.
  3. Incorpore a mistura de cogumelos, legumes e pato na massa e sirva polvilhado com queijo parmesão ralado na hora, se gostar.
  4. Celebre a chegada do Outono e tudo que esta estação tem de bom!