segunda-feira, 18 de outubro de 2010

The Thrill Is Gone ?

Longe vai o tempo em que só se cozia Pão uma vez na semana. O "Pão nosso de cada dia" era benzido antes de ir para o forno, retirado  com cuidado, embrulhado com candura, guardado em sigilo e venerado na mesa. Num País onde o Pão é quase uma religião, "não há mesa sem Pão", nem que seja "o que o Diabo amassou".  Cada região tem o seu e faz gala disso. Não há açorda sem Pão Alentejano, nem sarrabulho sem Broa. Nas romarias é Rei, com fêveras ou sardinhas, nos banquetes é Príncipe com miniaturas de preguinhos. E, perdoem-me os franceses, pois Deus sabe o que gosto de baguettes, mas não há como o Pão de Mafra ou a Broa de Avintes.  Mas, neste País em que uma Padeira fez história, e uma Rainha fez milagres, já não se coze Pão uma vez na semana. Coze-se todos os dias e a cada cinco minutos. Um Pão sem alma, e sem sabor, que chega congelado em tabuleiros ordenados, e parte em sacos de papel impessoais. Bem sei que ao aroma do Pão quente ninguém consegue resistir, mas a verdade é que o sabor não nos pode enganar! Custa-me ver que há cada vez menos padarias,  que os portugueses sucumbiram ao pão mole ensacado, enriquecido e conservado. Eu adoro Pão. Pão a sério, que deixa migalhas quando se parte e deixa saudades quando não há. Gosto do pão tradicional, fresco ou torrado com manteiga. Mas também gosto do Pão moderno, com mil sabores a acompanhar. Esta é uma das minhas receitas de pão predilecta...espero que gostem!



PÃO DE TOMATE SECO E ALECRIM
Tempo de preparação: 15 minutos + 90+45 minutos de levedura + 20 minutos de cozedura;
Serve: 12 pães;
 
  • 15 gr de fermento de padeiro;
  • 15 gr de açúcar;
  • 15 gr de sal;
  • 300 ml de água;
  • 500 gr farinha sem fermento;
  • 2 colheres de sopa de alecrim;
  • 10 tomates secos cortados em pedaços;

Modo de preparação:
  1. Dissolva o fermento e o açúcar na água morna. Atenção à temperatura da água, pois se estiver muito quente impede que o fermento exerça a sua função. Tape com um pano húmido e deixe repousar durante 5 minutos ou até que apareçam borbulhas na superfície;
  2. De seguida, numa tigela grande, misture a farinha com o sal, o tomate seco e o alecrim, cortados. Faça uma cova no centro e deite a água com o açúcar e o fermento. Faça movimentos rápidos para misturar tudo.
  3. Deite esta mistura numa superfície limpa e amasse durante cerca de 10 minutos. Ajuste com mais farinha se lhe parecer necessário. Esta é a parte mais divertida! Se não achar graça nenhuma...utilize uma batedeira eléctrica na opção gancho.
  4. Coloque a massa levemente enfarinhada numa tigela. Dê uns golpes na massa e cubra a tigela com película aderente. Deixe repousar em local quente durante 60-90 minutos, ou até que duplique o seu tamanho.
  5. Depois de ter duplicado o seu tamanho, divida a massa em mais ou menos 12 porções, com o mesmo peso. Lembre-se que vão duplicar de tamanho! Com as mãos, forme rolinhos que serão pequenos pães. Polvilhe um tabuleiro com farinha de milho e disponha os pães no tabuleiro enfarinhado, com distância entre eles suficiente para que não se colem quando crescerem. Coloque o tabuleiro num local resguardado de correntes de ar e tape com um pano. Deixe levedar cerca de 45 minutos ou até que o tamanho duplique.
  6. Aqueça o forno a 230 Cº. Entretanto, pincele os pães com água e introduza-os no forno. Um truque que utilizo para que os pães fiquem dourados é colocar uma travessa com água a ferver dentro do forno. Só assim consigo gerar a humidade típica dos fornos industriais das padarias. Sem este truque, os pães ficam cozidos e saboreados, mas não lindos, dourados e estaladiços.
  7. Coza os pães durante cerca de 25 minutos ou até que fiquem dourados. Saboreie pão acabado de fazer...com alma e sabor!

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Where all the good people go?



Dizem que a chamada classe média está a desaparecer. Eu tenho uma Amiga que discorda. Com seu sorriso característico - uma simbiose, quase perfeita, entre a troça e o triunfo - costuma afirmar, convictamente, que a classe média nunca desaparecerá. A classe média está a sofrer uma transformação, afirma. Passou de classe média a classe low cost. Uma classe social que procura sempre o melhor sem ter de pagar muito por isso. A classe low cost tem uma voracidade consumista crescente, procura alargar, indefinidamente, o leque de bens e serviços de luxo que a pode ter acesso a baixo custo. É uma classe com tendência natural para o consumo, e que não reconhece outros valores que não o baixo preço de um produto, acrescenta. Quanto a mim, não sei se a classe média está a desaparecer ou se está em mutação. Nem sequer sei se a classe low cost resulta de uma democratização dos bens e serviços, ou se é consequência natural do capitalismo. O que eu sei é que quando decido gastar o meu dinheiro num produto luxuoso e requintado, não é o preço que determina a minha escolha, é a qualidade. Acredito que a classe média esteja, hoje mais do que nunca, a consumir excessivamente. Mas, não creio que os seus valores se tenham alterado de tal forma que o preço baixo seja o único factor determinante das suas escolhas. De uma forma ou de outra, cozinhar em casa com requinte é um luxo acessível que eu gosto de ter. Será que isso faz de mim uma pessoa low cost? E vocês?


CANNELLONI DE ABÓBORA, RICOTA E ESPINAFRES
(Adaptada do Livro Dias com Mafalda, de Mafalda Pinto Leite)
Tempo de preparação: 45 minutos;
Serve: 4-6 pessoas;

  • 10 folhas de lasanha de massa fresca;
  • 400 gr de queijo ricota, ou requeijão;
  • 500 gr de espinafres;
  • 750 gr de abóbora;
  • 50 + 75 gr de manteiga;
  • 3 dentes de alho;
  • 75 gr queijo parmesão + 4 colheres de sopa extra para polvilhar;
  • 3 colheres de sopa de nozes inteiras+ 2 colher de nozes picadas extra;
  • 1 pitada de noz moscada;
  • 2 folhas de louro;
  • 750 ml de leite
  • 75 gr farinha;
  • 2 colheres de sopa de azeite;
  • uma mão cheia de oregãos;
  • sal e pimenta preta acabada de moer;
Modo de preparação:
  1. Corte a abóbora em cubos. Numa panela em lume médio, derreta a 50 gr de manteiga e adicione dois dentes de alho e a abóbora e deixe estufar por alguns minutos, até a abóbora estar mole. Tempere com sal, pimenta preta acabada de moer, noz moscada e oregãos e retire do lume quando estiver cozida. Deixe arrefecer ligeiramente.
  2. Entretanto, aqueça o azeite e um dente de alho e adicione os espinafres até murcharem e toda a água evaporar. Tempere com sal e pimenta e reserve.
  3. Num robot de cozinha bata a abóbora, as nozes, o queijo parmesão até ficar cremoso, mas ainda com alguns pedaços. Deite para uma tigela e misture com o queijo ricota.
  4. Aqueça o forno a 180cº e entretanto faça o molho branco. Leva os restantes 75 gr de manteiga ao lume médio. Assim que estiver derretida junte a farinha e mexa até ficar homogéneo. retire do lume e adicione ,aos poucos, o leite, mexendo para não formar grumos. Coloque o louro, uma pitada de noz-moscada e leve a ferver durante cerca de 5 minutos.
  5. Finalmente, estenda as folhas de lasanha e coloque uma camada de recheio de abóbora e ricota e uma camada de espinafres na ponta das folhas, enrolando para formar um cannelloni. Repita este processo até ter todas as folhas recheadas. Disponha-as num, prato de ri ao forno, cubra com o molho branco, polvilhe com queijo parmesão extra e nozes picadas, se gostar.
  6. Leve ao forno por 35 minutos, ou até estar dourado. Sirva acompanhado por um vinho da sua eleição, e aproveite uma refeição low cost!

domingo, 10 de outubro de 2010

With A Little Help From My Friends


Bem sei que os sentimentos não se quantificam. Não há balança, colher ou copo medidor que nos valha. É difícil dizer ao certo, com precisão, quantos Amigos temos. Nos dias que correm, a palavra Amizade pode ter inúmeros significados. Serve para distinguir o Colega, o Vizinho, o Conhecido, o Sócio, a Pessoa Simpática, e todos aqueles que estão por perto. Todo o circulo social em que, hoje, estamos envolvidos nos vai trazendo mais, e mais, Amigos. Mas, intuitivamente, sabemos que a Amizade é mais do que um simples clique com o rato no botão azul de uma rede social. A palavra Amizade traz-nos à memória um sentimento terno, sereno, límpido, feito de certezas e confiança. No seu significado mais restrito, os Amigos são aqueles que admiramos, aqueles com quem nos sentimos bem. Li algures que "Amigo é aquele a quem agrada e que deseja fazer bem a outro e que espera que os seus sentimentos sejam retribuídos". A Amizade é sincera e altruísta, mas também exigente. A Amizade é aberta, divertida, mas também atenta. A Amizade não vive só de conversas e confidências, mas de gestos e de atitudes....e de doçura, como esta compota que fiz para dar os Parabéns a dois queridos Amigos pelos seus aniversários!


COMPOTA DE ABÓBORA
Tempo de preparação: 1hora
Serve: 500 ML

  • 1 kg de abóbora;
  • 450 açucar;
  • 125gr amêndoas torradas;
  • 1 colher chá de canela;
  • 1 colher de chá de cardamomo;
Modo de preparação:
  1. Corte a abóbora em quadrados pequenos e coloque-a num tacho com o açúcar, a canela e o cardamomo e leve a lume brando e deixe cozer. Aumente a temperatura e deixe ferver com intensidade até que a abóbora esteja cozida e tenha engrossado.
  2. Retire a mistura do lume e adicione a amêndoas torradas. Deite em francos esterilizados, vede bem e cuide dos seus Amigos!

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Yellow Submarine



Entrei no carro apressada e liguei o rádio. Enquanto ouvia aquelas vozes, tristemente familiares, debitarem as medidas orçamentais do Estado Português para o próximo ano, tentava fazer contas à vida. Ao contrário do que é costume, não precisei de me socorrer de calculadora, bastou-me a memória. Eram contas fáceis e o resultado era certo: ficamos mais pobres. Todos. Sem excepção. Uma pobreza partilhada. Uma pobreza sistematicamente adiada. Uma pobreza irresponsavelmente escondida. E o pior de tudo: uma pobreza instalada. Agora, de nada adiantam indicadores simpáticos sobre a economia portuguesa, pois bem sabemos que não são reais. Basta fazer contas à vida - essa vida que vivemos todos os dias, que nos transporta, nos alimenta, nos trata, nos educa, nos calça e nos veste. As contas diárias da vida real há muito que nos mostram que estamos mais pobres. Não adianta fazer de conta que não é nada connosco, sacudir a água do capote, ou ao jeito do senhor Primeiro-Ministro, falar de submarinos quando a pergunta era sobre salários. Não adianta reagir com uma atitude de ignorância altiva, mas antes adoptar uma postura de humildade informada. Nestes tempos difíceis que se avizinham, a calculadora será o nosso melhor aliado, e só queremos receitas deliciosas e baratas...como esta!


EMPADÃO DE PEIXE
(Adaptada do Livro Dias com Mafalda de Mafalda Pinto Leite)
Tempo de preparação: 45 minutos;
Serve: 4 pessoas;
  • 1,5 kg de batatas;
  • 50+ 500 ml de leite;
  • 50 + 75 gr de manteiga;
  • 75 gr farinha;
  • 500 gr pescada;
  • 200 gr bacalhau demolhado;
  • 1 cenoura ralada;
  • 4 ovos;
  • 200 gr de espinafres;
  • 2 folhas de louro;
  • 1 pitada de noz-moscada;
  • 1 colher de chá de mostarda;
  • sal, pimenta q.b.

Modo de preparação:
  1. Corte as batatas e o peixe em pedaços. Desfie o bacalhau. Coloque as batatas e os ovos numa panela com água e sal a ferver e deixe-as cozer, até estarem moles. Escorra bem. Adicione 50 gr de manteiga, 50 ml de leite e uma pitada de noz-moscada e faça um puré.
  2. Entretanto, derreta 70 gr de manteiga em lume brando. Adicione a farinha e mexa até formar uma pasta. Cozinhe mexendo sempre, cerca de 2 minutos. Retire do lume e adicione os 500 ml de leite aos poucos até obter um molho cremoso. Leve a lume brando novamente, adicionando uma pitada de noz-moscada e as folhas de louro, deixando borbulhar por alguns minutos. Acrescente uma colher de chá de mostarda e deixe arrefecer ligeiramente.
  3. Pré-aqueça o forno a 200ºC. Coloque a cenoura ralada, os espinafres, o peixe, o bacalhau e os ovos numa travessa de ir ao forno. Regue com o molho branco e misture tudo. Finalize com o puré de batata. Disponha pequenas nozes de manteiga por cima do puré e leve ao forno por 30 minutos, ou até estar com um dourado.
  4. Sirva e delicie-se. Afinal, só o Primeiro-Ministro é que ainda não se deu conta de que estamos todos no mesmo submarino?

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Beautiful Day




Esta podia ser apenas mais uma segunda-feira de Outono. Mais um dia de inicio de semana, como tantos outros. Se hoje não fosse o dia 4 de Outubro de 2010, seria apenas isso e mais nada. Mas, hoje comemoro mais um aniversário de casamento. Celebro o meu percurso de felicidade e queria partilha-lo convosco. Não posso dizer-vos o tempo, o grau de dificuldade, nem o modo de preparação de um casamento feliz, pois este é um prato que espero levar toda a minha vida a preparar. Amor, desejo, carinho, compreensão, tolerância, são alguns dos ingredientes que fui adicionando. Misturei também paciência, uma pitada de mistério, e uma mão cheia de boa-disposição. Levei ao lume bem alto e deixei levantar fervura, apurei o paladar, provei, rectifiquei os temperos e.....servi!


CREME DE COUVE-FLÔR, ALHO FRANCÊS E PISTÁCHIOS
(Adaptado da Revista Saberes e Sabores)
Tempo de preparação: 20 minutos;
Serve: 4 a 6;


  • 75 gr de manteiga;
  • 1 colher de sopa de azeite;
  • 1 couve-flôr;
  • 2 alhos-franceses;
  • 750 ml de caldo de galinha;
  • 250 ml de leite;
  • 2 colheres de sopa de farinha;
  • uma mão cheia de pistácios descascados;
  • sal e pimenta q.b.

Modo de preparação:

  1. Derreta a manteiga e o azeite em lume brando. Entretanto, corte o alho-francês em rodelas, separe a couve-flor em ramos, lave os legumes e adicione-os à manteiga deixando estufar em lume muito brando cerca de 10 minutos;
  2. Aqueça o caldo e o leite. Polvilhe os legumes estufados com a farinha,regue com o caldo e leite quentes, e mexa. Triture tudo com a varinha mágica e deixe ferver durante 5 minutos. Rectifique os temperos e acrescente mais água se achar necessário.
  3. Sirva polvilhado com pistáchios triturados.....

    [UPDATE: com esta receita participo no Festival das Sopas que o Blog Delicias e Companhia promove. Podem ver aqui dezenas de receitas de sopas deliciosas!]

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Where is my mind?


Não há dúvidas: cada louco com a sua mania . Eu sei que esta é uma ideia da sabedoria popular, mas não é por isso que deixa de ser verdadeira. Eu tenho, confessadamente, manias. Manias um pouco bizarras que facilmente me classificam como louca. Adivinho sobrancelhas franzidas e sorrisinhos malandros. Aquela malandrice inocente das crianças que até o olhar mais distraído é capaz de adivinhar. Não é caso para menos. Vou revelar-vos uma coisa: tenho a mania de que o Outono começa no primeiro dia de Outubro. Até vos digo mais. Basta virar a página do calendário para começar a sentir a brisa mais fria e os dias mais curtos. Manias, bem sei. Em Outubro, cheira-me sempre a castanhas e apetece-me comida suculenta e reconfortante. Ouço o estalar das folhas secas que piso, por graça, enquanto caminho pelas ruas de sempre. Vejo mil e uma cores de Outono em todo o lado e não consigo pensar noutra coisa que não seja em cogumelos e caça. A receita que vos deixo aqui neste primeiro dia do mês de OutonoOutubro, celebra a chegada desta estação, e celebra,sobretudo, as manias que fazem de todos nós um pouco loucos!

TAGLIATELLE COM CONFIT DE PATO E ESPINAFRES

(Adaptada de uma receita de Ratolo de Confit de Pato do Chef Camilo Jaña)
Tempo de preparação: 30 minutos;
Serve: 4 pessoas;


  • 400 gr tagliatelle;
  • 250 gr confit de pato desfiado;
  • 150 chalotas;
  • 1 talo de aipo;
  • 200 gr espinafres cozidos;
  • 30 gr de cogumelos porcini secos;
  • 3 colheres de sopa de azeite;
  • 1 dente alho;
  • sal e pimenta q.b.;
Modo de preparação:
  1. Comece por desfiar o confit de pato. De seguida, hidrate os cogumelos em água morna, deixe repousar uns minutos e depois escorra, removendo as impurezas.
  2. Coza a massa até ficar al dente. Entretanto, pique finamente o aipo, o alho, as chalotas, os espinafres e os cogumelos porcini. Deite numa panela e aqueça o azeite em lume médio alto, junte o alho, as chalotas e o aipo. Junte também os cogumelos e deixe alourar durante cerca de 5 minutos. Finalmente, acrescente o pato muito bem desfiado e os espinafres. Rectifique os temperos e reserve.
  3. Incorpore a mistura de cogumelos, legumes e pato na massa e sirva polvilhado com queijo parmesão ralado na hora, se gostar.
  4. Celebre a chegada do Outono e tudo que esta estação tem de bom!

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Lasser les bons temps rouler


Quando era miúda, sempre que ia a Casa dos Avós do meu Pai tinha a sensação de estar num conto de fadas. As escadas de madeira estreitas, o papel de parede desmaiado, o eco do bater pausado do relógio da sala, os panos de cozinha bordados. Ali, naquela casinha ordenada, onde tudo parecia cheirar a lavanda, não havia tempo para pressas. Tenho a impressão que, naquela Casa, havia sempre tempo para tomar chá, para conversar e aconselhar, para falar e para ouvir. Aquela era uma Casa especial habitada por Gente de outros tempos. Gente para quem ser generoso era mais do que ser solidário, era ser caridoso. Gente para quem ter mérito era mais do que ter dinheiro, era ter fortuna. Aquela Casa era cor-de-rosa, como os sonhos, e aquela vida, mesmo não sendo de sonho, era uma vida feita de paninhos de renda, biscoitinhos de manteiga e ladrilhos de marmelada. Curiosamente, aquela Casa de conto de fadas será, dentro de uma semana, o meu novo local de trabalho. Não terá escadas de madeira, nem toalhas de linho, nem bolinhos de manteiga. Mas, como eu também sou feita da mesma farinha daquela Gente, espero ter nesta Casa sempre tempo para conversar e aconselhar, para ouvir e para falar. Espero que nesta Casa, tal como um dia me ensinaram, não haja tempo para pressas e que aquilo que me proponho a fazer, faça bem feito.

GELADO DE CHOCOLATE, CANELA E MANJERICÃO
(Adaptado do livro Making Artisan Gelato de Torrance Kopfer)
Tempo de preparação: 20 minutos + refrigeração

  • 500 ml de leite;
  • 150 gr de açúcar fino;
  • 4 gemas de ovo;
  • 300 ml de natas frescas;
  • 2 paus de canela+ 1 colher de chá de canela moída;
  • 200 gr chocolate 70% cacau;
  • 16 gr/ 2 colheres de sopa de cacau em pó;
  • 10 gr folhas de manjericão fresco;


Modo de Preparação:



  1. Comece por cozinhar o leite com a canela e metade da quantidade de açúcar, em lume médio, mexendo ocasionalmente, sem deixar ferver. Retire do lume e deixe em infusão cerca de 30 minutos. Entretanto, misture o restante açúcar com as gemas, mexendo continuamente até que a mistura se torne mais espessa e ligeiramente espumosa. De seguida, retire os paus de canela da infusão, misture cuidadosamente as gemas de ovo com o leite quente e com o cacau em pó, mexendo continuamente e leve de novo ao lume, Cozinhando em temperatura média-alta, e tomando cuidado para que não ferva, cozinhe até que esta mistura atinja os 85Cº.
  2. Retire do lume e misture o chocolate partido em bocados pequenos, mexendo até que o chocolate derreta completamente e fique incorporado no leite. Se a mistura não estiver homogénea, passe pela varinha mágica ou pelo copo misturador.
  3. Incorpore este creme nas natas utilizando um coador de malha fina. Adicione as folhas de manjericão finamente cortadas. Deixe esfriar completamente, mexendo ocasionalmente. Cubra o recipiente com película aderente e leve ao frigorífico, por pelo menos 8 horas, ou durante a noite. Coloque na máquina de gelados e siga as instruções do fabricante.
  4. Saboreie este gelado em pequenas taças...lasser les bons temps rouler....