segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Out of Town


Viajo muito. Já fui a Marrocos, seguramente, mais de uma centena de vezes. Na minha imaginação, claro está! Qualquer um dos cinco sentidos é capaz de me transportar, de imediato, para um País distante. Basta mergulhar o meu pequeno, mas apurado, nariz no armário das especiarias e estou prestes a embarcar. Sem mala nem passaporte. Marrocos é um dos meus destinos frequentes. Francamente, não sei porquê. Ignoro por completo a que cheiram as labirínticas ruas do Souk de Marrakech. Imagino sempre um odor intenso a cominhos. E é esta a especiaria que me conduz em mais uma das minhas viagens. A última chamada para a porta de embarque, desta vez, foi feita por um pão. Pão Marroquino Achatado. Já fiz este Pão Marroquino Achatado um par de vezes. É muito fácil de fazer e, posso assegurar, que marca toda a diferença ter pão caseiro num descontraído jantar de Amigos. Além disso, este Pão Marroquino Achatado é uma deliciosa companhia para entradas e tapas. Prove, delicie-se e viaje também!


PÃO MARROQUINO ACHATADO
(Adaptado do livro Return of the Naked Chef de Jamie Oliver)

Tempo de preparação: 15 minutos + 60 a 90 minutos de levedura + 5-8 minutos de cozedura;
Serve: 10 Amigos esfomeados;
  • 15 gr de fermento de padeiro;
  • 15 gr de açúcar;
  • 15 gr de sal;
  • 300 ml de água;
  • 500 gr farinha sem fermento;
  • 2 colheres de sopa de sementes de sésamo;
  • 200 gr de grão de bico;
  • 1 colher de sopa de cominhos em pó;

Modo de preparação:
  1. Dissolva o fermento e o açúcar na água morna. Atenção à temperatura da água, pois se estiver muito quente impede que o fermento exerça a sua função. Tape com um pano húmido e deixe repousar durante 5 minutos ou até que apareçam borbulhas na superfície;
  2. Entretanto, utilizando uma varinha mágica, ou um robot de cozinha, reduza o grão de bico a puré.
  3. De seguida, numa tigela grande, misture a farinha com o sal, os cominhos, o puré de grão de bico e as sementes de sésamo. Faça uma cova no centro e deite a água com o açúcar e o fermento. Faça movimentos rápidos para misturar tudo.
  4. Deite esta mistura numa superfície limpa e amasse durante cerca de 10 minutos. Ajuste com mais farinha se lhe parecer necessário. Esta é a parte mais divertida! Se não achar graça nenhuma...utilize uma batedeira eléctrica na opção gancho.
  5. Coloque a massa levemente enfarinhada numa tigela. Dê uns golpes na massa e cubra a tigela com película aderente. Deixe repousar em local quente durante 60-90 minutos, ou até que duplique o seu tamanho.
  6. Depois de ter duplicado o seu tamanho, divida a massa em mais ou menos 10 porções. Com a ajuda de um rolo de cozinha estenda pães compridos com uma forma ovalada e cerca de 0,5 cm de espessura. Eu gosto de estender umas partes com um pouco menos, pois ficam crocantes e estaladiços.
  7. Aqueça o forno a 250 Cº e assim que estiver a estalar de quente, introduza os pães sobre a grelha. Um truque que utilizo para que os pães fiquem dourados é colocar uma travessa com água a ferver dentro do forno. Só assim consigo gerar a humidade típica dos fornos industriais das padarias. Sem este truque, os pães ficam cozidos e saboreados, mas não lindos, dourados e estaladiços.
  8. Coza dois ou três pães de cada vez durante cerca de 4-8 minutos.
  9. Deixe arrefecer e sirva....feche os olhos e imagine-se no meio de uma labiríntica Medina marroquina!

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Otherwise


Low Carb. Baixa em hidratos de carbono. Honestamente, não tenho nada contra dietas baixas em hidratos de carbono, mas também não tenho nada a favor. Ultimamente, com a contagiante procura por uma imagem mais leve, a mania das dietas parece ter contaminado até os gourmets mais convictos. Já ninguém se lembra da roda dos alimentos que aprendeu na escola primária?! Parece que não. Pior. A juntar a esta espécie de alienação nutricional está a atitude social de distanciamento alimentar. É ver os olhares de desdém quando ousamos falar sobre comida reconfortante- high carb. - ao mesmo tempo que enchemos o prato de generosas colheradas de arroz branco. "Para mim NÃO, obrigado. Só salada!". Rica ou Pobre em hidratos de carbono, eu gosto de cozinhar, e de comer, comida saudável e saborosa. Mas também gosto que os outros - os que fazem dietas low carb. - comam, com satisfação, a comida que eu cozinho.Por isso, rendi-me a este creme fresco, leve, saudável, saboroso e low carb....caso contrário cozinhava comida para comer sozinha!


CREME DE AGRIÃO E TOMILHO:

Tempo de preparação: 25 minutos;
Serve: 6-8 pessoas;

  • 4 courgettes
  • 3 alhos franceses;
  • 1 mão cheia de folhas de tomilho fresco;
  • 200 gr de agrião arranjado;
  • 750 ml de água;
  • azeite q.b.;
  • sal e pimenta q.b.;
  • lascas de presento para servir;

Modo de preparação:
  1. Leve uma panela ao lume com um fundo de azeite. Parta os alhos franceses e as courgettes em fatias, deixando a casca, e deite na panela. Junte o tomilho e deixe tomar gosto. Por fim, junte o agrião e a água. Tempere com sal e pimenta e deixe ferver durante cerca de 25 minutos.
  2. Bata o creme num copo misturador, adicionando água da cozedura aos poucos até obter a consistência desejada.
  3. Sirva o creme frio acompanhado de lascas de presunto e decore com uma haste de tomilho.
  4. Se sabe que algum Amigo seu está a fazer uma dieta baixa em hidratos de carbono, não critique....colabore!

domingo, 22 de agosto de 2010

In Between


Azeitonas. É certo que entre Portugal e Espanha há muitas mais coisas em comum do que o gosto das suas gentes pelas azeitonas, mas hoje foi delas que me lembrei e é delas que vou falar. Entre os dois países, tantas vezes amigos, tantas vezes amantes e tantas vezes rivais, este é um petisco singular que se apresenta comum. Em Portugal, as azeitonas surgem como um sussurro, aparecem timidamente em cima da mesa antes de uma refeição principal, marinadas em azeite, ervas e alho vem para acompanhar o pão. Já em Espanha, as azeitonas gritam e impõem-se como o acepipe principal, recheadas com pimentos ou anchovas, surgem como uma acompanhante de luxo para quem saí de tapas em busca de uma copa de cerveja. A relação dos peninsulares com a as azeitonas não é fácil. É uma espécie de amor-ódio que se tenta gerir com moderação. Quem gosta, ADORA. Quem não gosta, ODEIA. E quem gosta, gostava de ser moderado e de conseguir não as comer compulsivamente. E quem gosta, gosta das pretas e das verdes, gostas das Alentejanas pequeninas, suaves, marinadas, e gosta das Espanholas carnudas, fortes, recheadas. Eu sou dos que gostam. E sou dos que não conseguem decidir entre umas e outras!



TAPENADE DE MANZANILLAS* VERDES:
Tempo de preparação: 3 minutos;
Serve: 6- 8 pessoas;

  • 150 gr de azeitonas manzanillas verdes recheadas com anchova;
  • 3 dentes de alho;
  • 4 filetes de anchova;
  • sumo de meio limão;
  • 1 colher de sopa de azeite;
  • 1/2 malagueta vermelha fresca, sem sementes;

Modo de preparação:

  1. Triturar todos os ingredientes num robot de cozinha. Temperar com o azeite e o sumo de limão. Servir com pão marroquino ou outro qualquer.
  2. Não perder tempo a tentar decidir se gosta mais de azeitonas ou de pasta de azeitonas e comer tudo até ao fim.......

NOTA:*A Azeitona manzanilla verde é de origem espanhola. A que usei nesta receita já tem recheio de anchova. Se não encontrar destas azeitonas utilize o dobro da quantidade de filetes de anchova.

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Never Know




Se não fosse um jantar mexicano em casa de uma Amiga, ainda hoje olharia com desconfiança todas as receitas de tortilhas, wraps ou rolls que cruzassem o meu caminho. A verdade é que, até então, aquelas rodelinhas achatadas de farinha e água não cativavam um minuto da minha atenção sequer. A primeira coisa que me vinha à cabeça era: para quê comer estes pedaços descoloridos de farinha quando se pode comer PÃO? Denso, estaladiço e fresco? Não conseguia encontrar um único motivo que me levasse a incluir aquelas rodelinhas estranhas no meu carrinho de compras. É verdade. Puro preconceito culinário. Bendita a hora que comi, muitas e deliciosas, Fajitas em casa da minha Amiga. Desde esse jantar que a minha lista de supermercado passou a incluir as tais rodelinhas achatadas de farinha e água. Abaixo o preconceito culinário! Estas tortilhas, wraps ou rolls, como lhe queiram chamar, não só são leves e práticas, mas também muito versáteis, permitindo um sem fim de combinações interessantes. Mal eu sabia que, justamente por serem apenas rodelinhas achatadas de farinha e água, permitem usar (e abusar) de especiarias, ervas aromáticas, temperos e verduras delicadas, pois não deixam que os seus sabores se percam no nosso paladar. Uma paleta em branco! Nunca se sabe o que pode sair! Esta foi a minha primeira combinação....calculo que muitas outras se seguirão!


ROLL DE OVO, CARIL E RÚCULA
(inspirado pelo Wrap de Ovo e Caril da Mafalda Pinto Leite no livro Cozinha Para Quem Quer Poupar)

Tempo de preparação: 15 minutos;
Serve: 2 pessoas

  • 2 tortilhas;
  • 2 ovos;
  • 2 colheres de sopa de azeite virgem extra;
  • raspa e sumo de meia lima;
  • 1 colher de sopa de salsa;
  • 1 colher de sopa de açafrão;
  • 1 colher se chá de caril**;
  • 100 gr fiambre de perú;
  • rúcula q.b.;
Modo de preparação:
  1. Coza os ovos. Entretanto, misture o queijo-creme, o azeite, as especiarias, a raspa e o sumo de lima e a salsa numa tigela. Bata um minuto até ficar uma mistura cremosa.
  2. Pique os ovos cozidos e o fiambre de pe´rú e adicione à mistura anterior.
  3. Barre cada tortilha com esta mistura e finalize com a rúcula a gosto.
  4. Esteja sempre preparado para mudar de ideias! Never know!

NOTA:* Eu usei este queijo creme porque era o que tinha em casa. Calculo que qualquer outro fique igualmente bem! ** Tal como já disse aqui, a quantidade de caril varia em função da qualidade do mesmo. Eu uso apenas uma colher de chá porque o meu pó de caril é bastante forte. Adapte ao seu paladar.

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Virtual Insanity


Todas as semanas agarro no meu carrinho de compras e vou abastecer-me de Fruta. Mais do que uma rotina, este é um ritual. Olho atenta para a banca das frutas, faço um certo ar de entendida, cheiro, apalpo, tomo o peso, remexo, verifico, pergunto e finalmente compro. Trago sempre a trilogia de sucesso infantil: maça, banana, pêra. Trago um ou outro fruto tropical, evocando o sol quente de outras paragens. E trago também uma fruta que me entusiasme. Esta semana não foi diferente. "Uma dúzia de pêssegos, por favor!""É para já amor, estão uma delicia!". Nem era preciso acrescentar nada, a tez rosada e o toque de veludo já me tinham convencido. Satisfeita com a minha escolha, caminhei em direcção a casa. Instalei as outras frutas no seu lugar e deixei a dúzia de pêssegos ali. A olhar para mim. "Mas que raio vou fazer com tantos pêssegos?". Começou a minha busca frenética por receitas em que o pêssego fosse o Rei. Depressa percebi que mais de meio planeta também tinha comprado pêssegos demais. Refrescos, Bebidas, Tortas, Saladas, Gelados e Sorbets, ao Natural e até grelhados, todo o mundo virtual parecia estar completamente louco por esta frutinha macia de caroço grande. Uma insanidade virtual e colectiva! E eu, eu era a pior! Queria algo com sabor a pêssego. E queria algo JÁ! No meio da minha loucura consegui ter um breve momento de lucidez e perceber que esta ansiedade podia terminar com um batido: rápido, delicioso e fácil. Resolvi juntar-lhe um chá. Na falta de camomila, para acalmar, utilizei cidreira. Resultou bem. Tão bem que converteu este batido no batido de pequeno-almoço desta semana.....ou pelo menos até os pêssegos acabarem e a loucura passar!



Batido de Pêssego, Cidreira e Mel
Tempo de preparação: 10 minutos;
Serve: 2 pessoas;

  • 2 Pêssegos grandes e maduros;
  • 125 gr de iogurte pedaços de pêssego;
  • 1 colher de sopa de mel;
  • 175 ml água;
  • 2 fatias finas de gengibre fresco;
  • 10 cubos de gelo;
  • 1 saco de chá de cidreira e mel;
Modo de preparação:

  1. Ferva os 175 ml de água e coloque o saco de chá em infusão durante cerca de 5 minutos.
  2. Entretanto, descasque os pêssegos, retire-lhes o caroço e parta em pedaços. Coloque com os restantes ingredientes no copo misturador.
  3. Acrescente o chá de cidreira e mel e bata tudo até ficar cremoso. Sirva imediatamente.
  4. Não sei se fica mais calmo ou se ainda fica mais louco por pêssegos!

sábado, 14 de agosto de 2010

Fine and Mellow

Correndo o risco de ser apelidada de patriotista, vou dizer-vos uma coisa: as Meloas Portuguesas são, seguramente, as melhores do Mundo! Não posso por a vista em cima sobre uma meloa, pequena, redondinha, de aroma pronunciado, sem que a agarre imediatamente. Nunca me deixo enganar pelo seu estranho e rugoso aspecto exterior. Acredito que estejam a pensar que entre pêssegos, nectarinas, damascos, framboesas e uvas, a meloa não é propriamente a fruta mais sedutora desta época. Mas eu tenho empatia com as meloas, que querem que vos diga? Mal vejo a primeira meloa na banca da fruta, não resisto. Nem mesmo as decepções das primeiras mordidas em meloas farinhentas, sem sabor e descoloridas, me conseguem afastar do desejo de encontrar a meloa perfeita. Geralmente, como-as no seu estado natural. Frescas. Suaves. Divinas. Mas, como ando numa fase mais gulosa, desta vez tentei dar-lhes um destino diferente.....para saborear ao longo de todo o Verão, aquele que é para mim um dos melhores paladares portugueses.

GELADO DE MELOA:
(adaptado daqui)Tempo de preparação: 10 minutos + refrigeração

  • 4 meloas pequenas;
  • 1 vagem de baunilha;
  • 1 lata de leite condensado;
  • 1 pitada de sal grosso;
  • 3 colheres de sopa de Vinho do Porto;
Modo de preparação:


  1. Descasque as meloas, retire as sementes e parta em cubos. Coloque no copo misturador e bata até obter cerca de 1,2 l de sumo de meloa.
  2. Entretanto, corte a vagem de baunilha em duas metades e retire as sementes do seu interior. Deite as sementes de baunilha, a pitada de sal, o Vinho do Porto e o leite condensado no copo misturador e bata novamente. Leve ao frigorífico até estar bem gelado, cerca de 4 a 6 horas durante a noite.
  3. Deite o preparado na máquina de fazer gelados e siga as instruções de utilização. Guarde num recipiente de plástico no congelador até necessitar.
  4. Para saborear em colheradas fartas até o final do Verão este suave e fino paladar de uma meloa portuguesa!

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Mysterious ways



Gosto de sopa. Não sei se sempre gostei ou se aprendi a gostar. Sei que hoje em dia tenho uma relação curiosa com a sopa. Pensar em sopa faz-me cheirar com a memória a casa dos meus Pais, num Domingo de manhã. Aliás, quando regresso de uma viagem, a primeira coisa que me apetece é sopa. Ok, estamos no Verão e até aceito que nesta época de calor a maioria das pessoas troque facilmente a sopa por outras entradas mais frescas. Mas eu não. Eu sou fiel à sopa. Calma! Também não sou nenhuma obcecada por sopa. Mas, como gosto muito, procuro encontrar receitas de sopa que sejam leves e adequadas a esta altura mais quente do ano. Sou experimentalista! Combino ingredientes inesperados com os vegetais de sempre e não tenho receito de testar receitas pouco convencionais. E ainda bem! Foi assim que descobri esta sopa: cremosa, leve e misteriosa. Perfeita para dias de Verão! Os ingredientes que fazem parte da sua composição deixam sempre dúvidas no ar, mesmo aos comensais mais gourmet! Deixo esta sugestão misteriosa que podem experimentar mesmo no Verão, pois tanto se pode comer quente como fria.



SOPA DE COURGETTE E CARIL
(adaptada da Revista Blue Cooking n.º 36)
Tempo de preparação: 30 minutos;
Serve: 4 a 6 pessoas;
  • 1 kg de courgette (cerca de 4);
  • 2 cebolas médias;
  • 1 batata média;
  • 1 dente de alho;
  • 1 colher de sopa de caril *;
  • 1 molho de coentros;
  • 750 ml de água;
  • azeite q.b;
  • sal q.b;
  • queijo creme para servir, se gostar;
Modo de preparação:
  1. Corte a courgette em fatias, com a casca, as cebolas e as batatas. Numa panela, aqueça um fundo de azeite e refogue a cebola até ficar translúcida. Junte o alho e o caril, e mexa sem parar durante cerca de um minuto. Acrescente os coentros, as fatias de courgette e as batatas e cubra com cerca de 750 ml de água; Tempere com sal grosso e deixe ferver;
  2. Quando os legumes estiverem cozidos, verifique os temperos e bata num copo misturador até ficar cremoso ( não sei se este é um truque, mas costumo bater sempre esta sopa no copo misturador e não com a varinha mágica!).
  3. Sirva, quente ou fria, com pedaços de pão tostado e queijo creme se gostar.
  4. Desafie os seus amigos a descobrirem os ingredientes que compõe esta sopa.....misteriosa!
NOTA: *a quantidade de caril varia em função da sua qualidade. Se usar um caril forte reduza a quantidade para 1 colher de chá, ou adapte ao seu paladar!