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segunda-feira, 18 de junho de 2012

Get Back




Depois de dias a fio numa hesitação intermitente, escrevo, não escrevo, escrevo, não escrevo, escrevi. Escrevi um parágrafo completo a contar tudo-e-mais-alguma-coisa. Em jeito de explicação, com alguma penitência, fui desenrolando as mil e vinte e sete razões para não escrever no blog nos últimos meses. Menti , ocultei e ficionei um bom bocado. Custa-me a infelicidade. Custa-me escrever como durante meses detestei a minha vidinha. Explicam-me quase num pranto que sou tola e oca, que sou mal-agradecida, irresponsável, imatura e infantil. Estúpida até. Que mal tem a tua vidinha? Nenhum, pois claro. Uma vidinha como a dos outros, sem tempo para escrever, para ouvir música, para dançar até cair para o chão. Que mal tem não ter tempo para  ler poesia, prosa, noticias de jornal, nem coissíssima nenhuma? Que mal tem não ter vontade de correr, de cozinhar, de escrever, nem tão pouco de sair da cama todos os dias? Que mal tem levar uma vidinha rotineira, como a dos outros, igual, igualzinha, sem pó nem especiarias, sem pimenta nem flor de sal? Não tem mal nenhum. Nenhum mesmo.Mas eu quero que a minha vidinha, a outra, a arrogante, a que quer mais  qualquer coisinha, a que quer novidades, projectos e noites sem dormir, volte. E volte para sempre!


PIPOCAS COM MALAGUETA
(Ligeiramente adaptado do livro "Cozinha Rápida", Donna Hay)


300gr de pipocas para micro-ondas;
2 malagueta moídas;
Uma tira de pimento-laranja;
sal, q.b.;

Modo de preparação:
  1. Coloque a embalagem no micro-ondas e siga as instruções de confecção.
  2. Retire as pipocas do saco, tempere com sal, malagueta moída.
  3. Adicione o pimento em cubos pequenos;
  4. Sirva,
NOTA: Simple Things, Handmade é o meu novo projecto. É marca registada de artesanato nacional. Para saberem mais sobre ele basta seguirem o link do logótipo que está no canto superior direito. Espero que gostem!


http://www.youtube.com/watch?v=IoMi8aWLDCsGet Back

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Superstition


Deviam ser seis da tarde quando o telefone tocou. Estridente, penetrante, inesperado. Enquanto caminhava com passos de velha na direcção que o sentido ordenava, ouviu um murmúrio no quarto. Um assobio. Uma gargalhada. Um barulho sobressaltante. Seria um gatuno? pensou baixinho. Ninguém. Assustou-se quando a empregada lhe trouxe o telefone, uma chamada importante, anunciou a criaturinha com azedume. Ouviu com atenção e, sem razão aparente, um calafrio percorreu-lhe o corpo. Teria o gatuno deixado a janela aberta? Estava calor no apartamento e a luz do fim da tarde espalhava-se dando à sala cor de clara de ovo. Combinado, anuiu acenando com a cabeça grisalha. O barulho continuava a persegui-la. Aproximou-se novamente do quarto e espreitou. Ninguém. Pegou na mala, num casaquinho fino e compôs a roupita alegre, preparando-se para sair. Fechou a porta do quarto à chave. Pediu um café de saco à empregada e zangou-se quando a criaturinha lhe trouxe uma chávena sem asa. Pressentia mãos delicadas a mexerem-lhe nas gavetas. Será uma mulher? Bateu com a chávena de café na mesa, a ver se a assustava. Comeu um pedaço de tarte de lima e retocou o batom vermelho antes de sair para o encontro. Rosalina nunca mais voltou.


TARTE DE LIMA
Tempo de preparação: 1h00
Serve: 10 fatias grandes;

  • 450 gr de bolachas digestivas(gosto de usar as de aveia);
  • 200 gr manteiga;
  • 2 latas de leite condensado;
  • 6 limas (sumo e raspa)
  • 8 gemas;
  • 250 ml natas frescas;
  • 1 colher de sopa de açúcar;
Modo de preparação:
  1. Pré-aqueça o forno a 180 Cº. Triture as bolachas num robot de cozinha até obter migalhas. Junte a manteiga derretida e amasse até obter uma mistura homogénea. Forre uma forma de tarte e leve ao forno´durante 20 a 25 minutos, ou até estar dourado e firme. Reserve e deixe arrefecer.
  2. Entretanto, com a ajuda de uma vara de arames, misture o leite condensado, o sumo e a raspa das limas e as gemas. O creme engrossará naturalmente. Verta o preparado sobre a base já fria e leve ao forno novamente a 150 Cº cerca de 25- 30 minutos. Retire e deixe o recheio assentar, de preferência de uma dia para o outro.
  3. Na hora de servir, bata as natas com o açúcar e espalhe sobre a tarte. Decore com raspas de lima e sirva.

terça-feira, 6 de setembro de 2011

O Anzol

Sentou-se calmamente na cadeira do cabeleireiro à espera do milagre semanal que em minutos lhe tornava macio o cabelo crespo. Ao contrário do que era habitual, não lhe apetecia tagarelar com a rapariguinha que a penteava mecanicamente, nem deter-se nas conversas dispersas sobre a vida das figuras de sempre, Teresinha estava  pensativa. Sempre defendera o triunfo da razão sobre a emoção, porque raio esta decisão lhe estava a custar tanto? Tic-tac-tic-tac. O relógio que marcava o tempo para o milagre, parecia marcar o compasso da sinfonia do seu desespero. Ecoava. Acalma-te, Teresinha, pensou. Para ela o casamento tinha sido um contrato, nem mais. Nunca tinha sequer fingido que amava o marido, não via qualquer interesse em enganar-se a si própria, deixava a simulação para o resto do Mundo. Não via no marido mais nada a não ser o dinheiro. Agora que o dinheiro acabara, queria poder desembaraçar-se dele, rapidamente, como se fosse um vómito. Tic-tac-tic-tac. Porque raio esta decisão lhe estava a custar tanto? Não a incomodava o sofrimento do marido. Imaginava-o a chorar aninhado num canto do quarto, a implorar que não  partisse. Tic-tac-tic-tac. Incomodava-a pensar que tinha que voltar a lançar o anzol.


SOPA DE PEIXE
Tempo de preparação: 35 minutos;
Serve: 4 pessoas;


  • 500 gr peixe branco variado (cação, cherne,tamboril);
  • 16 camarões;
  • uma chávena de ervilhas congeladas;
  • 4 ovos;
  • 4 batatas;
  • 2 cebolas pequenas;
  • 3 dentes de alho;
  • 2 folhas de louro;
  • um ramo de salsa;
  • um molho de coentros;
  • azeite, sal e pimenta;
Modo de preparação: 
  1. Coza o peixe, o marisco, e os ovos, com o louro, a salsa, um dente de alho, uma cebola, sal e pimenta. Retire o peixe, o marisco e os ovos e reserve o caldo.
  2. Desfaça o peixe em lascas, retirando as peles e as espinhas, descasque os camarões e os ovos. Reserve.
  3. Entretanto, descasque as batatas e parta-as em cubos.
  4. Leve uma panela ao lume com um fio generoso de azeite. Refogue uma cebola e dois dentes de alho. Coe e adicione o caldo da cozedura do peixe e deixe levantar fervura. Junte as batatas e as ervilhas e deixe cozer. 
  5. Por fim, junte o peixe e o marisco, os coentros e os ovos, ambos grosseiramente picados. Rectifique os temperos e sirva.




quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Learn to fly


Agosto está de partida. Em menos de vinte e quatro horas esta casa mergulhará em silêncio. Um silêncio tumular, obrigatório, contido, como se todas as horas do dia fossem hora de sesta. Tudo calado. Sou intransigente com a hora da sesta. Shiiiu. Mas, mamã eu não quero dormir a sesta. Shiiuu. Adoro a hora da sesta. Puro egoísmo, confesso. Adoro enfiar-me ao teu lado  nesta caminha branca de cordeirinhos recortados. Tapo-me com a colcha colorida e aconchego-me na maciez da tua pele. Adoro ficar aqui encaixada em ti, como se ainda  fossemos duas peças do mesmo puzzle. Agarrar-te, beijar-te e segurar o cordão bem preso, meu pequenino. Shiiuu. Escuto a tua respiração sincopada, sinto a tua pressa de viver. não quero dormir mamã. Lá fora um passarinho pequeno pia baixinho, manso, a lembrar-me de que tu, um dia, também vais querer voar.


PATANISCAS DE BACALHAU E AZEITONAS
Tempo de preparação: 10 minutos + 30 minutos de fritura;
Serve: 6-8 pessoas;

  • 3 postas de bacalhau grosso (cerca de 500 gr);
  • 250 gr de farinha;
  • 4 ovos;
  • 1 colher de chá de fermento em pó;
  • 1 cebola grande;
  • 2 dentes de alho;
  • 30 azeitonas pretas, mais ou menos;
  • uma mão cheia de salsa;
  • sal e pimenta preta;
  • óleo para fritar;
Modo de preparação:
  1. Pique finamente a cebola, os dentes de alho e a salsa.
  2. Desfaça o bacalhau em lascas, não muito finas. Parta as azeitonas em rodelas ou em pedaços, como preferir.
  3. Entretanto, numa tigela grande misture os ovos batidos com a farinha e o fermento até obter um polme homogéneo. Acrescente os restantes ingredientes e envolva bem. Tempere a gosto com sal e pimenta.
  4. Coloque uma colher de sobremesa de massa a fritar no óleo quente por uns minutos deixando dourar de ambos os lados. Retire e deixe repousar em papel absorvente até à hora de servir.

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Sing, Sing, Sing


Laurinha não gostava de ir à praia. Na verdade, Laurinha nem sequer gostava de tempo quente. O calor só lhe trazia à memória mosquitos, gafanhotos, baratas, centopeias e um sem fim de insectos desprezáveis cuja simples imagem lhe provocava asco. Se a vista os alcançava, Laurinha revirava os olhos em sinal de desprezo. Mergulhava sobre si mesma, alheia ao terrível animalzinho, na esperança que desaparecesse para sempre. Tinha a pele alva, nívea, quase cristalina não fossem as mínusculas sardas alaranjadas polvilhadas pelo corpo todo. A partir de Maio, mudava o horário dos seus passeios para que o Sol não a rubescesse. Só saia de casa à tardinha, muito composta, de vestido de seda às flores e com um ridículo chapeuzinho branco, aos saltinhos, de cesta de verga na mão. A sua imagem provocava-me arrepios. Tinha sempre os olhos dengosos num misto de indolência e tristeza. A voz esganiçada, sumida, mimada condizia com o seu ar de eterna menina da floresta ou de psicopata. Nunca consegui decifra-la. Certo dia, no pico do Verão, Laurinha passou por mim a cantarolar com a cesta de verga a transbordar cogumelos selvagens. Para o jantar, disse-me na sua voz afectada. No dia a seguir Laurinha morreu. Foi o Verão mais quente de sempre.

BOLO DE COGUMELOS
(Adaptada da Revista Blue Cooking n.º40)
Tempo de preparação: 20 + 40 minutos de cozedura
Serve: 6-8 pessoas

  • 200 gr de farinha;
  • 1/2 colher de chá de fermento em pó;
  • 1/2 colher de chá de bicarbonato de sódio;
  • 3 ovos;
  • 100 ml de óleo;
  • 100 ml de leite;
  • 100 gr de queijo ralado;
  • 250 gr de mistura de cogumelos (paris, boletos, porcini);
  • 1 cebola pequena;
  • 1 dente de alho;
  • 2 colheres de sopa de azeite
  • uma mão cheia de salsa e tomilho frescos;
  • sal e pimenta preta.
Modo de preparação:
  1. Pré-aqueça o forno a 180 C.º
  2. Pique finamente a cebola, o alho e os cogumelos. Aqueça o azeite numa frigideira e salteie a cebola e alho por alguns minutos. Junte os cogumelos e salteie até que toda a água evapore.
  3. Entretanto, numa taça misture os ovos, o óleo e o leite. Tempere com sal e pimenta preta. Adicione a farinha, o fermento e o bicarbonato de sódio. Por fim, junte os cogumelos, o queijo ralado, a salsa e o tomilho picados.
  4. deite a mistura numa forma untada e leve ao forno por cerca de 40 minutos, ou até estar dourado e seco.

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Gimme Shelter


Josefa está sentada no topo das escadas de pedra. No seu posto de comando preferido. Perto da cozinha e das crianças, longe de todas as outras tarefas que tanto a aborrecem. Mira as suas mãos morenas, as veias muito salientes, as unhas já enroladas. Devota uns minutos a si própria todos os dias. Pensa na mulher que foi e naquela que gostaria de ter sido. Ajeita o alvoroço que lhe vai nos cabelos negros de tinta barata. Levanta-se num pulo e ensaia um gesto preciso de quem passa a ferro, alisando com determinação os vincos das calças verde garrafa. Vê-se nos detalhes que Josefa cuida o que veste. Os trajes denunciam-lhe a idade, a condição social, a solidão. Mas disso Josefa não sabe.  Levanta os olhos minúsculos de animmal do escuro à procura de abrigo e varre o quintal com um olhar rápido, de soldado. Ordena às crianças que subam na sua voz aguda e ligeiramente neurótica. Vou dizer tudo aos senhores, ai isso é que vou. Põe ar de bruxa má, franze a testa e disfaça o amor que lhes sente. Já vamos Josefa, já vamos. Já vamos lanchar e fazer-te companhia.
   

FATIAS DE ESPINAFRE, PRESUNTO E OVO
(Ligeiramente adaptado do Livro "Fast, Fresh, Simple" de Donna Hay)
Tempo de prepraração: 5 minutos + 45 minutos de cozedura
Serve: 4-6 pessoas;

  • 500 gr espinafres congelados;
  • 1 colher de sopa de azeite;
  • 1 dente de alho;
  • 2 placas de massa folhada;
  • 10 fatias finas de presunto;
  • 100 gr queijo parmesão;
  • 6 + 1 ovos;
  • sal e pimenta preta a gosto.
Modo de preparação:
  1. Pré-aqueça o forno a 180 C.ºForre com papel vegetal um tabuleiro de ir ao forno com 20 cm, mais ou menos. Estenda as duas placas de massa folhada com 20 cm cada uma e coloque um das placas no tabuleiro. Reserve a outra.
  2. Entretanto, aqueça o azeite numa frigideira e salteie os espinafres e o alho, até toda a água evaporar.
  3. Coloque as fatias de presunto por cima da massa folhada.
  4. De seguida os espinafres salteados e espremidos e o queijo ralado.
  5. Por fim, abra cada um dos 6 ovos sobre os espinafres, tempre com pimenta preta moída na hora e uma pitada de sal e termine com a placa de massa folhada, pressionando as estremidas pera fechar.
  6. Bata ligeiramente um ovo e picele sobre a massa. Leve ao forno cerca de 45 minutos ou até a massa estar folhada e dourada. Sirva quente ou frio.

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Samba de Verão


Sentou-se no pequeno murete verde muito claro e ali ficou mais de meia hora. Deixou-se encharcar por aquela imagem de Verão. A praia ensopou-lhe o corpo todo, derramou as riscas azuis e brancas das lonas remendadas e cobriu-a de maresia. E ela deixou, ali sentada no murete verde muito claro. Observou a histeria dos veraneantes que desciam a escadaria. Escutou as suas conversas rápidas e rudes, de quem tem pressa de chegar. Prazeres, olhou fixamente aquele mar negro de morte e sorriu.  Ali sentada naquele murete verde muito claro, Prazeres viu um mar sossegado e calmo. Finalmente o Verão tinha chegado.


GRANIZADO DE MELÃO E CÔCO
Tempo de preparação: 5 minutos;
Serve: 6 pessoas;

  • meio melão branco;
  • 2 colheres de leite de côco;
  • muito gelo;
Modo de preparação:
  1. Descasque o melão, retire as pevides e corte-o em cubos. Coloque o melão, o leite de côco e o gelo num copo misturador e bata até obter uma mistura suave. Sirva com hortelã ou manjericão, se gostar.

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Sem fazer planos


Gostava de sentir o peso dos dias iguais. Gostava do conforto da repetição dos gestos, das palavras, das horas. Aquela sensação de fio que conduz à meada, de corredor de supermercado ordenado, de chá morno com bolinhos quentes, faziam-na sentir-se feliz. Adorava chá morno e bolinhos quentes. Sempre que alguém ia de viagem encomendava-lhe chá. A chávena a fumegar, as migalhinhas a tombar na toalha, o excesso de sabor a cada dentada num bolinho morno. A vida para ela era um ritual sagrado, cheio de orações repetidas até à exaustão. De cor, sem pensar, mecânicamente. E Olivia gostava dos seus dias assim. Em Agosto, quando a casa ficava vazia e todos iam para a praia, fechava-se sobre si própria à espera que o tempo passasse. Os seus dias enchiam-se de silêncio e tristeza. Tantas horas, tanto tempo, tantos planos por fazer. Sou tão diferente da Olivia.


TAÇAS DE PÃO À BOLONHESA
Tempo de preparação: 15 minutos + 30 minutos cozedura;
Serve: 4 pessoas

  • 8 fatias de pão de forma;
  • 8 fatias de presunto;
  • 1 cebola pequena;
  • 1 dente de alho;
  • 1 cenoura pequena;
  • 30 ml de vinho branco;
  • 2 colheres de sopa de azeite;
  • 250 gr de carne picada;
  • uma mão cheia de salsa;
  • 3 colheres de sopa de polpa de tomate;
  • 1 ovo;
  • 1 bola mozarella de bufalla;
  • sal e pimenta preta;
Modo de preparação:
  1. Pré-aqueça o forno a 180 C.º. Unte 8 formas de queque.
  2. Com a ajuda de uma rolo de cozinha, espalme o pão e forre as formas. Leve ao forno por 5 minutos, ou até estar firme. Retire e reserve.
  3. Entretanto, pique finamente o dente de alho, a cebola e a cenoura e leve com o azeite ao lume. Deixe alourar e junte a carne, o vinho e a polpa de tomate. Reduza a temperatura e deixe cozinhar, até a água ter evaporado. Tempere com sal e  pimenta preta moída no hora. Retire do lume e misture o ovo ligeiramente batido.
  4. Forre as forminhas com a carne e as fatias de presunto rasgadas e coloque uma fatia de queijo por cima e polvilhe com salsa fresca. Leve ao forno cerca de 25-30 minutos, ou até a carne estar firme. Sirva ou leve consigo numa lancheira para um dia sem fazer planos.
NOTA: Estas taças de pão à bolonhesa são ideais para aproveitar restos de carne picada já cozinhada. Ou qualquer outro recheio que quiser.

quarta-feira, 27 de julho de 2011

I´ll be blessed


É no terceiro andar do mercado que se reúnem todos os dias. Creio que há gente que não sabe que o mercado tem um terceiro andar. Mas é lá, aconchegadas pelo cheiro húmido daquelas paredes bolorentas que elas se juntam. Todas velhas, todas feias, todas vendedoras à força. Das suas boquinhas finas, riscadas pelo sol, não sai nem um pregão, nem um instante de conversa fiada. É o ramerrame da vida de quem lá sobe que quebra o silêncio das manhãs daquelas mulheres. Enchem as bancas de betão sem vida, seco e gretado, com alguidares de plástico azul, cor-de-rosa, verde. Com a cor que calha. Sujos e desbotados, como os olhos delas. Movem-se à volta dos legumes como se tivessem a roupa encharcada em ruralidade. Estranho que vendam todas o mesmo. Sem azedume, sem picardias, sem olhares gulosos. Abençoadas pelo mesmo Ser. Pergunto por beringelas. Indicam-me quem tem. Consola-me esta solidariedade. E beringelas.

COUSCOUS DE BERINGELA E TOMATE
Serve: 4 pessoas
Tempo de preparação: 10 minutos;

  •  2 beringelas grandes;
  • 250 gr de couscous;
  • 3 colheres de sopa de azeite + extra para envolver;
  • 300 ml de caldo de galinha;
  • 2 tomates chucha;
  • 1 dente de alho;
  • uma mão cheia de folhas de mangericão;
  • 40 gr de queijo feta;
  • flor de sal e pimenta a gosto;
Modo de preparação:
  1. Aqueça azeite numa panela e junte as beringelas em cubos. Tempere com flor de sal e pimenta a gosto. Deixe alourar as beringelas, adicione 1 dente de alho  finamente picado e o couscous. Deixe tostar ligeiramente e vá mexendo com um garfo. 
  2. Junte o caldo de galinha e retire do lume. Tape a panela com película aderente e deixe repousar entre 4 a 5 minutos no vapor.
  3. Entretanto, corte 2 tomates chucha em cubos e reserve.
  4. Corte as folhas de manjericão grosseiramente e reserve.  
  5. Retire o couscous para uma taça de servir, adicione o manjericão e o tomate em cubos e, por cima, esfarele o queijo feta. Acrescente um fio de azeite e envolva tudo. Rectifique os temperos sal e sirva.
  6.  

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Every Teardrop Is A Waterfall

Não aconteceu em vão, aconteceu porque tinha que ser. Repete esta frase vezes sem conta enquanto enfia os dedos gordos na lata onde guarda a farinha. Consola-se a pensar em gente moribunda, mutilada, doente, pegajosa. De repente, parece que a guerra de longe está ali, a bater-lhe à porta. E ela serena. Aconteceu assim porque tinha que ser. Afasta os cacarecos que tem em cima da bancada preta da cozinha e guarda com cuidado os naperons de linho grosso. Uma exposição de mau gosto que visita todos os dias. Vai amassando o pão com força, em jeito de disfarce para o fastio que sente pela sua vida medíocre. Um cheiro morno a alecrim inunda a casa enorme. Abre a boquinha pequena para soltar um grito áspero.  Faltará sal ou azeite. Em quarenta e dois anos nunca o marido lhe elogiou o estilo culinário. Senta-se à frente dele e mastiga em silêncio. Olha-o com uma pontinha de emoção. Casou-se com ele porque tinha que ser. Álvaro abre a boca e deixa escapar, como se deixasse cair uma moeda da algibeira, está muito bom. Lágrimas redondas e salgadas rolam-lhe pela face. Três. Três lágrimas.

FOCACCIA DE AZEITONAS E ALECRIM
(ligeiramente adaptada daqui)
Serve: 1 focaccia grande;
Tempo de preparação: 15+ 45+ 30 ( levedura) + 30 (cozedura)

  • 430gr de farinha;
  • 2 colheres de sopa de alecrim + 2 hastes para decorar;
  • 7gr de fermento instantaneo seco;
  • 1 colher de chá de sal + extra para polvilhar;´
  • 1 colher de chá de mel;
  • 300ml de água morna;
  • 1 + 2 colheres de sopa de azeite;
  • 20 azeitonas pretas sem caroço;
Modo de preparação:
  1. Numa tigela grande, misture a farinha, o alecrim, o sal e uma colher de azeite. Mexa para incorporar os ingredientes.
  2. Entretanto misture a água morna com o fermento e o mel. Aguarde até que se formem bolhas à superficie. Faça uma cova no centro da farinha e misture com uma colher de pau até que uma massa se  comece a formar. Transfira para uma superfície levemente enfarinhada cerca de 10 minutos. Como esta massa é muito macia e  um pouco pegajosa, pode optar por sova-la numa batedeira electrica durante cerca de 10 minutos.
  3. Faça uma bola com a massa e coloque em uma tigela grande, levemente untada com azeite e enfarinhe a superficie. Cubra com pelicula aderente e deixe levedar cerca de 45 minutos ou até que dobre o seu tamanho.
  4. Unte com azeite uma assadeira grande, de beiradas baixas. Transfira a massa para a assadeira e pressione levemente para retirar o excesso de ar. Dê à massa um formato ovalado, fazendo que com que tenha aproximadamente 2cm de espessura e 25cm de comprimento. Pincele levemente com azeite e cubra novamente com pelicula aderente. Deixe levedar ela segunda vez, durante cerca de  por cerca de 30 minutos ou até que duplique novament eo tamanho.
  5. Pré-aqueça o forno a 220°C. Retire a pelicula aderente da focaccia. Polvilhe com farinha as pontas dos seus três dedos centrais de uma das mãos e faça furinhos em toda a extensão da massa (sem deixar que atravessem o fundo). Pressione pedaços de azeitona nos buracos. Pincele a massa com 2 colheres de sopa de azeite e pressione raminhos de alecrim na massa e polvilhe com sal grosso.
  6. Deixe cozer até que o topo da foccacia fique dourado, cerca de 25 minutos. Retire do forno e sirva ainda morna.
NOTA: Esta receita participa no desafio do 3º aniversário do blogue Figo Lampo. Longa Vida ao Figo Lampo e muitos parabéns!

sábado, 16 de julho de 2011

Funny the way it is




"Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas, que já têm a forma do nosso corpo, e esquecer os nossos caminhos, que nos levam sempre aos mesmos lugares. É o tempo da travessia: e, se não ousarmos fazê-la teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos."

Fernando Pessoa


Hoje este bloque celebra um ano de publicações. Um ano de travessias. Obrigada por lerem, comentarem e estarem sempre por aí.


PORTO TÓNICO COM FRUTOS SILVESTRES
(ligeiramente adaptada da receita de Marcelo Machado)
Serve: 1 
Tempo d preparação: 2 minutos;

  • 50 ml de vinho do Porto branco;
  • 50 ml de água tónica;
  • Sumo e casca de meia lima;
  • várias pedras de gelo;
  • uma mão ceia de frutos silvestres (usei congelados)
Modo de preparação:
  1. Misture todos os ingredientes e sirva num copo gelado. Divirta-se e ouse fazer travessias. Sempre.


segunda-feira, 11 de julho de 2011

Walk


Desci a Rua José Malgueira com passos curtos e desajeitados. Os pés gritavam-me insultos agudos que eu fazia de conta não ouvir. Quando encostei a barriga ao balcão caruchoso da mercearia quase respirei de alivio. Um sorriso malandro e um piropo infantil receberam-me com a simpatia de sempre. O que vai ser, cara linda? Tirar os sapatos e cortar os pés, Sr. Paulino. O raio das sandálias nem me deixavam pensar. Tudo ordenado nas prateleiras de madeira, com os preços escritos a lápis em papelinhos amarelos cortados à mão. Sabão Clarim, Omo Roupa Branca,  Limpa Metais Coração, Sonasol Lava Tudo Amoniacal. Farinha Branca de Neve, Pó Royal, Chocolate Pantagruel. Papel higiénico, Guardanapos de papel às florinhas, Toalhas de mesa de plástico axadrezado. Sabonetes Alfazema, Old Spice e Frutos secos. Temos de tudo, cara linda, é só escolher. Alheiras de Mirandela, queijo da Serra, azeitonas e tremoços.  Um corte de bacalhau, Sr. Paulino. Deixe ficar os pés.


  
MEIA DESFEITA ou SALADA DE BACALHAU
(Adaptada da Revista Blue Cooking nº 41)
Serve: 4 pessoas;
Tempo de preparação: 15 minutos, mais ou menos
  • 2 postas de bacalhau;
  • 200 gr de feijão verde;
  • 400 gr de grão de bico cozido;
  • 1 cebola grande;
  • 1 dente de alho;
  • 3 colheres de sopa de azeite;
  • 1/2 malagueta fresca;
  • 1 Courguette pequena;
  • 1 colher de sopa de colorau;
  • 2 colheres de sopa de salsa picada;
  • sal e pimenta preta q.b;
Modo de preparação:
  1. Coza o bacalhau e o feijão verde. Reserve.
  2. Pique a cebola e o dente de alho finamente. Leve o azeite ao lume e refogue a cebola e até ficar ficar translúcida. Junte o colorau e acrescente o alho e a courgette. Deixe cozinhar lentamente até a courgette estar cozida, mas sem estar mole.
  3. Junte o feijão verde e o grão e envolva bem.
  4. Adicione o bacalhau em lascas.
  5. Pique a malagueta e polvilhe com salsa picada. Rectifique os temperos e sirva. Quente ou fria.

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Proud Mary

Nem mais tarde, nem mais cedo. Maria despertou à mesma hora de sempre. Há muito que era o corpo o relógio da sua vida. Nunca se tinha enganado. Espreguiçou-se num gesto rápido e contido e saiu da cama como se saltasse para um precipício. Para trás deixou o bafo húmido do marido. Um corpo grande e feio, encharcado em ronco e vinho. Sem acender a luz, mirou-se no minúsculo espelho da casa-de-banho. Os olhos grandes e esbugalhados devolveram-lhe uma imagem que não reconhecia. Quem era aquela mulher velha e cansada? De quem era aquele rosto desbotado? Vermelho, de frio e de sol. Sacudiu o cheiro a naftalina e vestiu-se sem convicção. Camisola  de algodão baço, casaco de malha cor de cereja, saia preta,  avental de  chita. Em minutos estaria no único lugar de que era dona. Dona Maria. Tem pimentos amarelos? Tenho filha, tenho.
  

MINI-TARTES DE PIMENTOS, QUEIJO MANCHEGO E IOGURTE
Tempo de preparação: 25 minutos + 25 minutos cozedura;
Serve: 4-5 mini-tartes;

  • 220 gr farinha;
  • 1 colher de chá de fermento instantâneo seco;
  • 2+ 2+ 2 colheres de sopa de azeite;
  • 1 ovo;
  • 80 ml de água morna;
  • 1 pimento vermelho;
  • 1 pimento verde;
  • 2 pimentos amarelos;
  • 3 dentes de alho;
  • 1 cebola roxa;
  • 100 + 30 gr de queijo manchego;
  • 30 gr de queijo parmesão;
  • 200 gr de iogurte grego;
  • uma mão cheia de óregãos;
  • uma mão cheia de salsa;
  • sal e pimenta preta;
Modo de preparação:

  1. Corte os pimentos e a cebola roxa em tiras. Pique um dente de alho finamente. Leve duas colheres de sopa de azeite ao lume e adicione os pimentos, a cebola e o alho. Deixe refogar, até os pimentos estarem cozinhados. Reserve.
  2. Misture a farinha com uma pitada de sal. Forme uma cova no centro e junte o ovo e duas colheres de azeite. Misture bem.
  3. Entretanto, dissolva o fermento na água morna. Tape por uns minutos, com um pano ou película aderente, até que se formem bolhas à superfície. Adicione à mistura de farinha e sove por 10 minutos, ou até obter uma massa homogénea e ligeiramente elástica.
  4. Forre formas de tarte pequenas (ou uma forma grande de 23 cm) com a massa.
  5. Numa tigela misture o iogurte grego com o queijo ralado e duas colheres de sopa de azeite. Tempere com pimenta preta moída na hora. Como os queijos são fortes, não precisa adicionar sal.
  6. Barre a massa com a mistura de iogurte e disponha os legumes por cima. Polvilhe com oregãos e com um pouco mais de queijo manchego. Leve ao forno cerca de 25 minutos, ou até a massa estar dourada e o queijo derretido. Polvilhe com salsa picada grosseiramente e sirva imediatamente. Pode servir de entrada ou, acompanhado com uma boa salada e um copo de vinho branco, de prato principal.

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Isn´t She Lovely


Percorre a clínica na ponta dos saltos. Já todos conhecem os compassos do seu percurso. Primeiro a cafetaria, depois o consultório. Veste bata branca imaculada. De corte moderno, mando-a fazer de propósito a uma costureira muito jeitosa que lhe indicou uma amiga. Não podes andar nessas figuras. Bata larga, desajustada. Mandou fazer cinco. Uma para cada dia de consulta. Trá-la desabotoada, deixando ver o conjuntinho novo que comprou no fim-de-semana. É dificil adivinhar a perfeição daquele corpo mergulhado em consumo. Como se fosse uma calda, uma conserva. Traz tudo. Aneis, brincos, pulseiras e quanta mais tralha houver em casa. Guarda bugigangas numa caixa em pele que o ex-marido lhe deu. Todos os dias olha para o raio da caixa e lembra-se dele. Vou deita-la fora. Mas nunca deita. Tudo ali pendurado, a apimentar o olhar de quem a vê passar. Apressada, indiferente, de bloco de notas na mão. Em surdina, como se fosse pecado, Branca conta a uma enfermeira que agora  não come doces. Que pena que eu tenho da Branca.


TARTE DE PÊSSEGO E FRUTOS SILVESTRES
Tempo de preparação: 25 minutos+ 40 minutos de cozedura;
Serve: 8-10 fatias grandes;

  • 270 gr + 90 gr de farinha;
  • 125 gr+ 45 gr de manteiga;
  • 90 gr + 90 gr de açúcar mascavado claro;
  • 2 ovos;
  • 2 colheres de chá de fermento em pó;
  • 300 gr de pêssego;
  • uma mão cheia de frutos silvestres (framboesas, mirtilos, amoras, groselhas) congelados;
  • 1 colher de sopa de doce de pêssego;
  • 1 colher de sopa de vinho do Porto;
Modo de preparação:
  1. Coloque 270 gr de farinha, 125 gr de manteiga partida em cubos e 90 gr de açúcar num robot de cozinha. Bata até obter migalhas. Adicione um ovo e bata novamente até obter uma massa homogénea. Retire do robot de cozinha e amasse mais um pouco. Forme uma bola e estique a massa com a espessura de cerca de 3mm e forre a base pretendida.
  2. Para fazer uma massa fofa que servirá de recheio, bata a restante manteiga com o açúcar. Assim que estiver bem ligado adicione o ovo e o fermento. Finalmente incorpore delicadamente a farinha.
  3. Deite a massa fofa por cima da base de tarte espalhando até ficar homogéneo. Por cima coloque a fruta, pressionando ligeiramente.
  4. Leve ao forno a 180 Cº cerca de 40-45 minutos, ou até estar firme e tostada. Retire do forno e deixe arrefecer.
  5. Entretanto aqueça o doce de pêssego até ficar liquido e adicione o vinho do Porto. Com a ajuda de um pincel de cozinha, espalhe o doce por cima do recheio da tarte. Sirva.

segunda-feira, 27 de junho de 2011

Cara Valente


Aos dez anos deixou a escola. Aos dezasseis casou-se. Ainda não tinha completado trinta e três anos quando lhe nasceu o primeiro neto. Depressa percebeu que no seu relógio as horas não eram perpétuas e as bocas que pediam comida multiplicavam-se a cada minuto. Sempre que o barco se afastava da terra pensava neles. Nos filhos, nos netos. Não quero que sejam pescadores, disse um dia aos amigos, batendo decidido o às de copas na mesa de pedra. Soltou as amarras e as palavras zarparam-lhe boca fora. Ninguém lhe respondeu.  O Mar podia ouvir. Zangar-se. E as mulheres a trocarem os lenços brancos pelos xailes pretos. E o barco a partir e a anunciar o fim. Gaspar gostava de pensar que o futuro dos seus seria diferente. Sem a pele curtida, sem as aspas desenhadas nos cantos dos olhos, sem o medo de não voltar.

SARDINHAS DE ESCABECHE
Tempo de preparação: 15 minutos, mais ou menos;
Serve: 4-6 pessoas;

  • 8 sardinhas;
  • 1 cenoura;
  • 1 cebola;
  • 2 dentes de alho;
  • 125 ml de vinagre;
  • 125 ml de água;
  • 2 folhas de louro;
  • 1 colher de sopa de polpa de tomate;
  • 1 colher de sopa de Vinho da Madeira;
  • 2 colheres de sopa de azeite + extra para fritar;
  • farinha q.b.;
  • uma mão cheia de salsa;
Modo de preparação:
  1. Tempere as sardinhas com sal. Passe-as por farinha. Leve uma panela com azeite ao lume e disponha as sardinhas, numa só camada, deixando-as alourar de um lado e de outro. Quando estiverem douradas, retire do lume e transfira para um prato de servir.
  2. Entretanto, parta a cebola e a cenoura em rodelas finas e pique os dentes de alho e a salsa finamente.
  3. Leve o azeite ao lume num tacho pequeno. Junte as rodelas de cebola e assim que estiverem moles junte a cenoura. Deixe apurar uns minutos e acrescente o alho e as folhas de louro. Quando começar a cheirar bem adicione a polpa de tomate, o vinagre e o vinho. Deixe ferver cerca de 5 minutos e adicione a água. Deixe o molho ferver até ter consistência.
  4. Retire as folhas de louro e regue as sardinhas com o molho e polvilhe com salsa picada. Sirva quente ou frio.
  5. Se tiver tempo e paciência, em vez de usar as sardinhas inteiras, arranje-as em filetes.....

sexta-feira, 20 de maio de 2011

Cara de anjo mau

Li-o todo até ao fim. O estômago às cambalhotas e eu aqui sentada muito quietinha a ler. No peito um apertão, um nojo solidário. Logo hoje que está sol e é sexta-feira e o fim-de-semana cheira a festim. Estava tão bem quieta. Sem ler. Sem saber. Porque carga de água fui lê-lo? A identidade de género tem destas coisas. Nunca disse nada a ninguém, mas acho que foi por isso que quis ter uma filha. E tive. Obrigada, Meu Deus. Sempre tive medo do dois contra um. De me sentir sozinha, injustiçada, indefesa, incompreendida. Uma mulher comove-se com a dor de outra mulher. Eu comovo-me.  Se calhar foi por isso que fui ler. Estive quase um século a lê-lo.  Um circo inteiro a actuar dentro da tripa. Trapezistas, palhaços, elefantes, leões. E eu de boca fechada, com medo de jorrar um vómito. A imaginar porque carga de água não te comoveste. A imaginar-te vestida de preto, com a beca coçada, com cara de anjo mau.

PENNE COM BERINGELAS
Tempo de preparação: 20 minutos
Serve: 4 pessoas;

  • 2 beringelas grandes;
  • 400 gr de tomate pelado;
  • 450 gr de pene (ou outra massa curta);
  • 2 dentes de alho;
  • 1 malagueta seca;
  • uma mão cheia de azeitonas pretas;
  • uma mão cheia de salsa fresca;
  • 1 salpico de vinagre balsâmico, se gostar;
  • azeite, sal e pimenta preta moída;


Modo de preparação:
  1. Coza a massa até estar al dente. Escorra e reserve uma chávena de água da cozedura.
  2. Entretanto, corte as beringelas em quadrados de 1 cm. Leve uma panela ao lume com um fio de azeite, coloque os alhos esmagados, a malagueta e as beringelas. Quando as beringelas estiverem com cor, junte o tomate pelado partido em cubos com cerca de 1 cm e deixe apurar. 
  3. Junte as azeitonas. Tempere com sal e pimenta. Junte um pouco de água da cozedura se o molho estiver muito grosso. Salpique com o vinagre e junte o molho à massa cozida. Envolva bem. Polvilhe com salsa picada e queijo parmesão e sirva.