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terça-feira, 13 de setembro de 2011

Mútuo consentimento

Tinha dezoito anos quando a mãe a mandou para a casa dele servir.  Penteou com esmero o cabelo preto, prendeu-o na nuca e deixou-o cair numa trança larga sobre o desfiladeiro esguio das suas costas. Vestiu a melhor saia que tinha, calçou os seus únicos sapatos e pegou na mala de cartão velho, tal como a mãe ordenara.   O seu ar sério e submisso mal deixavam ver a rapariguinha que era.  Faz o que o senhor te mandar. E ela fazia. Mal o senhor apareceu detrás da pesada porta de acesso à Casa Grande, Ana soube que seria sua. E foi. Foi o amor do momento. Desse e de todos os que haviam de lhe seguir. Noite após noite, o senhor comandava-a para o leito, reclamando amor e carinho, ela obedecia sorrindo com os seus olhos cor de gelo. Aninhava-se junto a ele como um animal manso. Ficava acordada, a velar-lhe o sono, escutando-lhe o ressonar húmido, pausado, saciado. Tal como a mãe ordenara.  Ana  gastou a breve juventude a servi-lo. Na Casa Grande nunca ninguém via loiça por lavar, roupa por passar ou caça por amanhar. Ana trancava-se no caos da cozinha cheia de vapor, em pleno Verão, só para fazer um prato que o senhor gostasse. Um dia o senhor chegou a casa e anunciou que ia partir para o Brasil, não sabia quando voltava. Ana despediu-se e deixou-o ir. Acenou-lhe da janela e ainda lhe atirou um último beijo. Sem lamentos, sem lágrimas, tal como a mãe lhe ordenara.


LASANHA DE CARNE
Tempo de preparação: 1h 15 m
Serve: 4- 6 pessoas;

  • 2 colheres de sopa de azeite;
  • 25 + 75 gr de manteiga;
  • 75 gr de farinha;
  • 2 cebolas;
  • 1 folha de louro;
  • 100 ml de polpa de tomate;
  • 100 ml de vinho tinto;
  • 100 ml de caldo de carne;
  • 100+ 500 ml de leite;
  • 1 talo de aipo;
  • 1 cenoura;
  • uma mão cheia de salsa;
  • 2 dentes de alho;
  • 600 gr de carne de vaca magra;
  • 300 gr de queijo mozzarela;
  • queijo parmesão, q.b.;
  • placas de massa para lasanha ( frescas, de preferência)
  • sal, pimenta e noz moscada;


Modo de preparação:
  1. Pique finamente uma cebola, os dentes de alho, o aipo e a cenoura.
  2. Entretanto aqueça duas colheres de sopa de  azeite e 50 gr de manteiga em lume médio/forte e adicione a folha de louro, o aipo, o alho, a cenoura e a cebola e deixe cozinhar mexendo frequentemente, durante cerca de 5 minutos. Adicione a carne mexendo com um garfo para desfazer a carne e deixe cozinhar até a carne ganhar cor. Reduza o lume para médio e junte a polpa de tomate, mexendo sempre. Junte o vinho e o caldo de carne e baixe para lume brando. Deixe fervilhar meio tapado e vá juntando o leite ao poucos. Deixe cozinhar até engrossar, cerca de 45 minutos. Rectifique os temperos.
  3. Pré-aqueça o forno a 200 Cº. Entretanto, derreta 75 gr de manteiga em lume brando. Adicione a farinha e mexa até formar uma pasta. Cozinhe mexendo sempre, cerca de 2 minutos. Retire do lume e adicione os 700 ml de leite aos poucos até obter um molho cremoso. Leve a lume brando novamente, adicionando uma pitada de noz-moscada, uma folha de louro e uma cebola inteira, deixando borbulhar por alguns minutos. Reserve.
  4. Num prato de forno distribua duas ou três placas de massa de lasanha, conforme a capacidade do prato, cubra com carne picada, seguida de três ou quatro fatias de queijo mozzarella, queijo parmesão ralado, a gosto, e de molho branco. Vá alternando estas camadas até terminar. Cubra com molho branco e queijo.  Leve ao forno por cerca de 30 minutos ou até estar dourado. Sirva.


segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Sem fazer planos


Gostava de sentir o peso dos dias iguais. Gostava do conforto da repetição dos gestos, das palavras, das horas. Aquela sensação de fio que conduz à meada, de corredor de supermercado ordenado, de chá morno com bolinhos quentes, faziam-na sentir-se feliz. Adorava chá morno e bolinhos quentes. Sempre que alguém ia de viagem encomendava-lhe chá. A chávena a fumegar, as migalhinhas a tombar na toalha, o excesso de sabor a cada dentada num bolinho morno. A vida para ela era um ritual sagrado, cheio de orações repetidas até à exaustão. De cor, sem pensar, mecânicamente. E Olivia gostava dos seus dias assim. Em Agosto, quando a casa ficava vazia e todos iam para a praia, fechava-se sobre si própria à espera que o tempo passasse. Os seus dias enchiam-se de silêncio e tristeza. Tantas horas, tanto tempo, tantos planos por fazer. Sou tão diferente da Olivia.


TAÇAS DE PÃO À BOLONHESA
Tempo de preparação: 15 minutos + 30 minutos cozedura;
Serve: 4 pessoas

  • 8 fatias de pão de forma;
  • 8 fatias de presunto;
  • 1 cebola pequena;
  • 1 dente de alho;
  • 1 cenoura pequena;
  • 30 ml de vinho branco;
  • 2 colheres de sopa de azeite;
  • 250 gr de carne picada;
  • uma mão cheia de salsa;
  • 3 colheres de sopa de polpa de tomate;
  • 1 ovo;
  • 1 bola mozarella de bufalla;
  • sal e pimenta preta;
Modo de preparação:
  1. Pré-aqueça o forno a 180 C.º. Unte 8 formas de queque.
  2. Com a ajuda de uma rolo de cozinha, espalme o pão e forre as formas. Leve ao forno por 5 minutos, ou até estar firme. Retire e reserve.
  3. Entretanto, pique finamente o dente de alho, a cebola e a cenoura e leve com o azeite ao lume. Deixe alourar e junte a carne, o vinho e a polpa de tomate. Reduza a temperatura e deixe cozinhar, até a água ter evaporado. Tempere com sal e  pimenta preta moída no hora. Retire do lume e misture o ovo ligeiramente batido.
  4. Forre as forminhas com a carne e as fatias de presunto rasgadas e coloque uma fatia de queijo por cima e polvilhe com salsa fresca. Leve ao forno cerca de 25-30 minutos, ou até a carne estar firme. Sirva ou leve consigo numa lancheira para um dia sem fazer planos.
NOTA: Estas taças de pão à bolonhesa são ideais para aproveitar restos de carne picada já cozinhada. Ou qualquer outro recheio que quiser.

quarta-feira, 27 de julho de 2011

I´ll be blessed


É no terceiro andar do mercado que se reúnem todos os dias. Creio que há gente que não sabe que o mercado tem um terceiro andar. Mas é lá, aconchegadas pelo cheiro húmido daquelas paredes bolorentas que elas se juntam. Todas velhas, todas feias, todas vendedoras à força. Das suas boquinhas finas, riscadas pelo sol, não sai nem um pregão, nem um instante de conversa fiada. É o ramerrame da vida de quem lá sobe que quebra o silêncio das manhãs daquelas mulheres. Enchem as bancas de betão sem vida, seco e gretado, com alguidares de plástico azul, cor-de-rosa, verde. Com a cor que calha. Sujos e desbotados, como os olhos delas. Movem-se à volta dos legumes como se tivessem a roupa encharcada em ruralidade. Estranho que vendam todas o mesmo. Sem azedume, sem picardias, sem olhares gulosos. Abençoadas pelo mesmo Ser. Pergunto por beringelas. Indicam-me quem tem. Consola-me esta solidariedade. E beringelas.

COUSCOUS DE BERINGELA E TOMATE
Serve: 4 pessoas
Tempo de preparação: 10 minutos;

  •  2 beringelas grandes;
  • 250 gr de couscous;
  • 3 colheres de sopa de azeite + extra para envolver;
  • 300 ml de caldo de galinha;
  • 2 tomates chucha;
  • 1 dente de alho;
  • uma mão cheia de folhas de mangericão;
  • 40 gr de queijo feta;
  • flor de sal e pimenta a gosto;
Modo de preparação:
  1. Aqueça azeite numa panela e junte as beringelas em cubos. Tempere com flor de sal e pimenta a gosto. Deixe alourar as beringelas, adicione 1 dente de alho  finamente picado e o couscous. Deixe tostar ligeiramente e vá mexendo com um garfo. 
  2. Junte o caldo de galinha e retire do lume. Tape a panela com película aderente e deixe repousar entre 4 a 5 minutos no vapor.
  3. Entretanto, corte 2 tomates chucha em cubos e reserve.
  4. Corte as folhas de manjericão grosseiramente e reserve.  
  5. Retire o couscous para uma taça de servir, adicione o manjericão e o tomate em cubos e, por cima, esfarele o queijo feta. Acrescente um fio de azeite e envolva tudo. Rectifique os temperos sal e sirva.
  6.  

terça-feira, 21 de junho de 2011

Blackbird


Entrou na sala branca a medo e pousou a cesta de verga no chão. Sentou-se devagarinho na ponta da cadeira já gasta e olhou a toda a volta, como se alguém a pudesse ver. Sentava-se sempre na ponta das cadeiras. Detestava ficar com a pernas bambas, suspensas, na evidência da sua pequenez. Pela nesga da janela que emoldurava a jaula branca entrava um fio de Sol. Até o Verão era tímido naquele lugar. Olhou fixamente para a porta fechada e adivinhou o silencio dos corredores. Um arrepio percorreu-lhe o corpo miúdo. Temeu a hora em que a trariam, de pantufas, poisada numa cadeira de rodas, despenteada, vaga. Tenho tantas saudades tuas, Avó. Olhou para ela com admiração. Gosto tanto de ti, Avó. Tatuou-lhe os lábios no rosto e acariciou-lhe as mãos. Lágrimas invisíveis jorraram-lhe dos olhos negros quando percebeu que a Avó a mirava com espanto. Um olhar perdido no absurdo daquela mulher de casaco vermelho.  E tu quem és? Sou eu Avó, não te lembras? Sou o capuchinho vermelho.



SALADA DE FEIJÃO-FRADE, TOMATE E MALAGUETA
(Adaptada do Livro "Cozinha Para Quem Não Tem Tempo" da Chef Mafalda Pinto Leite)
Tempo de preparação: 10 minutos, ou menos;
Serve: 2-4 pessoas;

  • 400 gr de feijão-frade cozido;
  • 1 malagueta fresca sem sementes;
  • 2 tomates pequenos;
  • 1 cebola roxa;
  • 1 dente de alho;
  • uma mão cheia de salsa;
  • 1 colher de sopa de azeite;
  • 3 colheres de sopa de vinagre de vinho branco;
  • sal e pimenta preta;
Modo de preparação:
  1. Pique a cebola, a malagueta fresca e a salsa finamente. Parta o tomate em cubos. Misture estes ingredientes com o feijão-frade.
  2. Para preparar o molho, misture o azeite com o vinagre e o dente de alho esmagado. 
  3. Envolva a salada no molho e sirva fresco.

Esta receita participa no desafio do quarto aniversário do Blogue da Belinha Gulosa.



sexta-feira, 20 de maio de 2011

Cara de anjo mau

Li-o todo até ao fim. O estômago às cambalhotas e eu aqui sentada muito quietinha a ler. No peito um apertão, um nojo solidário. Logo hoje que está sol e é sexta-feira e o fim-de-semana cheira a festim. Estava tão bem quieta. Sem ler. Sem saber. Porque carga de água fui lê-lo? A identidade de género tem destas coisas. Nunca disse nada a ninguém, mas acho que foi por isso que quis ter uma filha. E tive. Obrigada, Meu Deus. Sempre tive medo do dois contra um. De me sentir sozinha, injustiçada, indefesa, incompreendida. Uma mulher comove-se com a dor de outra mulher. Eu comovo-me.  Se calhar foi por isso que fui ler. Estive quase um século a lê-lo.  Um circo inteiro a actuar dentro da tripa. Trapezistas, palhaços, elefantes, leões. E eu de boca fechada, com medo de jorrar um vómito. A imaginar porque carga de água não te comoveste. A imaginar-te vestida de preto, com a beca coçada, com cara de anjo mau.

PENNE COM BERINGELAS
Tempo de preparação: 20 minutos
Serve: 4 pessoas;

  • 2 beringelas grandes;
  • 400 gr de tomate pelado;
  • 450 gr de pene (ou outra massa curta);
  • 2 dentes de alho;
  • 1 malagueta seca;
  • uma mão cheia de azeitonas pretas;
  • uma mão cheia de salsa fresca;
  • 1 salpico de vinagre balsâmico, se gostar;
  • azeite, sal e pimenta preta moída;


Modo de preparação:
  1. Coza a massa até estar al dente. Escorra e reserve uma chávena de água da cozedura.
  2. Entretanto, corte as beringelas em quadrados de 1 cm. Leve uma panela ao lume com um fio de azeite, coloque os alhos esmagados, a malagueta e as beringelas. Quando as beringelas estiverem com cor, junte o tomate pelado partido em cubos com cerca de 1 cm e deixe apurar. 
  3. Junte as azeitonas. Tempere com sal e pimenta. Junte um pouco de água da cozedura se o molho estiver muito grosso. Salpique com o vinagre e junte o molho à massa cozida. Envolva bem. Polvilhe com salsa picada e queijo parmesão e sirva.

terça-feira, 3 de maio de 2011

The girl from Ipanema

Saí de casa cedo e ela já lá estava. De frente para quem passava a olhar para lado nenhum e a sorrir, desavergonhadamente.  Olhei para ela, confesso. Olhei com detalhe, sem pudor. Coitada. Vai ficar ali todo o dia. Pronto já vimos, podes ir à tua vidinha. Gritei-lhe. Gritei para dentro, faço cerimónia deste sentimento. Vai, não ouviste? Está a chover, podes ir que hoje ninguém veste biquínis. Pensei, confesso. Não devia, mas pensei. Nisso e numa série de outros disparates, um tsunami de pensamentos invejosos. E ela ali. Animal de cativeiro. O vidro a cortar-lhe a respiração e ela a sorrir, desavergonhada. As curvas perfeitamente esculpidas, o biquíni cor de oceano Pacífico e as palmeiras. E pior. A promessa. Desavergonhada. Quatro semanas bastam. Uns minutinhos por dia. E eu a escrever com os olhos o nome do tal elixir que as curvas dela me querem vender. Vá lá, não queres? São só uns minutinhos para ficares como eu. Quero, quero. E eu a fingir que acredito, a olhar para mim, para ela, para o elixir, para o espelho, para o biquíni, um terramoto de fantasias. E eu a pensar baixinho que faço cerimónia deste sentimento: desavergonhada!


COUSCOUS DE LEGUMES DE VERÃO
Tempo de prepraração: 15 minutos;
Serve: 4 pessoas;

  • 2 chávenas de couscous;
  • 1 courgette;
  • 1 molho de espargos verdes;
  • 1 pimento vermelho;
  • 1 pimento verde;
  • 2 tomates;
  • 1 malagueta fresca;
  • uma mão cheia de salsa;
  • sumo de uma lima;
  • azeite, sal e pimenta;
Modo de preparação:
  1. Coloque o couscous numa tijela e junte duas chávenas de água a ferver e uma pitada de sal. Tape e deixe repousar cerca de 5 minutos. Separe os grãos com um garfo e reserve.
  2. Entretanto, descasque os espargos e ferva durante 3 minutos.
  3. Parta a courgette, os tomates e os pimentos em quartos.
  4. Leve uma frigideira ao lume com um fio de azeite e junte a courgette e os pimentos. Deixe os legumes amolecerem e ganharem cor. Tempere com sal e pimenta.
  5. Parta os espargos cozidos em rodelas e junte-os ao couscous. De seguida, junte o tomate partido em quartos e os legumes quentes. Polvilhe com salsa picada e mexa bem.
  6. Retire as sementes à malagueta e parta-a em rodelas. Junte aos couscous, tempere com o sumo de lima e sirva.

terça-feira, 15 de março de 2011

Primeira vez


A primeira impressão marca. Dizem. E eu acredito. Sábado comi este strudel pela primeira vez. No fim queria comer mais. Não havia. Queria comer outra vez com o espanto da primeira garfada. Acho que me vai acontecer sempre isto com esta receita. O que significa que vou querer comê-la sempre que a memória me trouxer à ideia este jantar de Sábado à noite de Inverno-que-não-acaba-e-Primavera-que-não-chega. Já me deixei de parvoíces. Agora não tenho receitas predilectas. Tenho receitas. Só. E depois confio na minha memória, que me engana, que não me deixa ser objectiva. Eu também não gosto. Da objectividade. Gosto da primeira impressão. Faz-me sentir infantil. Gosto das garfadas ingénuas à descoberta do sabor novo, de fazer de conta que não sei o que acabei de cozinhar. Gosto da primeira vez.


STRUDEL DE FEIJÃO BRANCO E OUTROS LEGUMES
Tempo de preparação: 15 minutos + 25 minutos;
Serve: 4 pessoas

  • 150 gr de feijão branco cozido;
  • 50 gr de courgette;
  • 50 gr de beringela;
  • 1/2 pimento vermelho;
  • 1/2 pimento amarelo;
  • 1 cebola roxa pequena;
  • 1 colher de sopa de azeite + azeite para pincelar;
  • 1 tomate;
  • 1 ovo;
  • 1+ 1/2 colher de chá de colorau;
  • folhas de massa filo;
  • sal e pimenta preta moída na hora;
Modo de preparação:
  1. Pique finamente a cebola e corte a beringela, a courgette, os pimentos e o tomate em cubos. Aqueça uma colher de azeite e junte a cebola. Adicione os pimentos e salteie por 5 minutos. Adicione a courgette, a beringela, o feijão, o colorau e tempere com sal e pimenta. Deixe cozinhar até os legumes amolecerem, cerca de 10 a 15 minutos. Retire do lume e deixe arrefecer. Entretanto, bata o ovo. Junte o tomate e ovo batido e reserve.
  2. Numa superfície de trabalho limpa estenda uma folha de massa filo e pincele com azeite. Coloque outra folha de massa filo por cima e volte a pincelar com azeite. Repita o processo com a terceira e quarta folhas de massa filo.
  3. Deite a mistura de legumes na parte mais longa da massa e vá enrolando prendendo bem dos lados enquanto enrola. Pincele o topo do strudel com um pouco mais de azeite. Coloque num tabuleiro forrado com papel vegetal e leve ao forno quente por cerca de 25 minutos, ou até estar dourado.
  4. Sirva com uma salada temperada com azeite e uma pitada de colorau....deixe-se levar pelas primeiras impressões.

quinta-feira, 3 de março de 2011

Better than this


Apetece-me começar. Assim, de repente. Sem mais nem menos, apetece-me. Um desafio, uma meta para mim mesma, um risco. Em Maio vou correr, no dia quinze, nada de especial, uns kilometros só, vou mesmo. E dá-me medo pensar que vou começar. Que vou ficar assim não sei quanto tempo a tentar vencer-me todos os dias. A vertebrar a minha nova obsessão. A tropeçar nessa ideia, nesse começo, nessa nova meta. E dá-me medo pensar que depois volta tudo ao mesmo. Que depois já corri, já consegui e não quero saber mais disso. Que depois venho para aqui outra vez, pensar noutro começo, noutra meta, com medo de não saber o que me apetece. Com medo de me sentir inútil, perdida, a tropeçar num dia atrás do outro. Com medo de ficar de boca aberta a ver os outros passar. A correr. A sentir que gosto da vida, do desafio, do começo das coisas. Quero fazer isto. Quero fazer melhor do que isto. Quero começar tudo outra vez.


SALADA DE ATUM COM FEIJÃO BRANCO
Inspirada no Livro "Cozinha Rápida" de Donna Hay
Tempo de preparação: 5 minutos;
Serve: 2 pessoas;

  • 150 gr de rúcula;
  • 385 gr de feijão branco de lata;
  • 200 gr de atum em conserva;
  • 2 tomates cortados em pedaços;
  • 2 colheres de salsa picada;
  • 1 malagueta fresca sem sementes;
  • 3 colheres de sopa de azeite;
  • 1 colher de sopa de vinha de vinho tinto;
  • sal e pimenta preta;
Modo de preparação:
  1. Escorra o feijão branco e o atum. Corte a malagueta e pique a salsa fresca. Num parto de servir, disponha a rúcula, o feijão e o atum.
  2. Prepare um molho misturando o azeite com o vinagre e o sal. Regue a salada com o molho, polvilhe com a salsa, a malagueta e tempere com pimenta preta acabada de moer. Sirva imediatamente e prepare-se para um novo começo!

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

The Book of Love

Chego a casa de revista debaixo do braço. Outra? Mais outra, aliás. Não sei quando é que isto vai parar. Nem eu. Mas por agora também não me interessa. Chegou um pacotinho para ti. Outro? Mais outro. Amontoam-se, acotovelam-se, atropelam-se à procura de um lugar de destaque. Como é que é possível que haja tanta gente a escrever sobre comida? Fico pasmada, a admirar, a devorar a imaginar. Fico cercada:  mãos ao alto! Livros, revistas, destacáveis, desdobráveis, panfletos, eu sei lá, o raio que me parta! A culpa não é deles, dos que escrevem. A culpa é minha que não lhes consigo resistir e depois fico assim. Cercada, sem saber por onde ir. Folheio, procuro, marco. Hoje não. Não me interessa. Interessa-me uma receita antiga, do caderno da minha avó, daquelas que fazem parar o Inverno. Interessa-me uma receita sem imagens, sem glossário, sem tradução, sem medidas convertidas. Hoje interessa-me uma pitada disto e mais outra daquilo,  daquelas que se que se fazem assim, sem ler um livro ou uma revista. Daquelas que se fazem só com amor. 


ALMÔNDEGAS DE CARNE DE VACA COM QUEIJO FETA
Tempo de preparação: 10 minutos + 15 minutos de cozedura;
Serve: 4 a 6 pessoas;
  • 800 gr de carne de vaca picada;
  • 1 mão cheia de salsa;
  • 1 colher de chá de oregãos;
  • 50 gr de queijo feta;
  • 1 ovo;
  • 2 dentes de alho esmagados;
  • 2 colheres de sopa de azeite;
  • 1 cebola média;
  • 150 ml de caldo de carne;
  • 400 gr de tomate pelado;
  • 2 folhas de louro;
  • farinha q.b;
  • sal, pimenta e queijo parmesão q.b.;
Modo de preparação:
  1. Misturar muito bem a carne picada, o queijo feta, os oregãos, a salsa picada, o alho esmagado e ovo. Tempere com sal e pimenta a gosto. Com as mãos molhadas molde bolas de carne, todas com a mesma dimensão. Passe por farinha e reserve.
  2. Entretanto pique finanamente a cebola e o tomate pelado.
  3. Leve o azeite e as folhas de louro ao lume numa panela de fundo espesso e aloure a cebola e as almôndegas. Junte o tomate e o caldo de carne e reduza o lume. Deixe apurar o molho durante cerca de 15 minutos. Rectifique os temperos.
  4. Sirva com esparguete cozido al dente e polvilhe com queijo parmesão;

sábado, 19 de fevereiro de 2011

Some Kind of Wonderful



Adoro Livros. Vivo rodeada por eles. Gosto especialmente de livros de culinária. Como se de um romance se tratasse, sempre que tenho um novo livro de culinária, acomodo-o no topo dos meus livros de cabeceira e leio-o de uma ponta à outra. Leio, volto a ler e marco. Marco com papelinhos coloridos muitas, muitas receitas para fazer um dia. Uma das minhas Autoras favoritas é a Mafalda Pinto Leite. A abordagem culinária desta Chef Portuense é despretensiosa, descomplexada, divertida e diferente. Os livros são simples e práticos, e as receitas saborosas e saudáveis. Adjectivos que há muito me conquistaram e depressa converteram os seus livros nas minhas "bíblias culinárias" do dia-a-dia. Mas há mais! Nos livros a Mafalda Pinto Leite deixa aberta a porta da sua cozinha, incentiva a adaptar livremente as suas receitas, disponibiliza a sua ajuda e deixa o seu contacto - e posso garantir-vos que ajuda e que responde - traformando-os em verdadeiros cadernos de receitas de uma Amiga. É a simpatia verdadeira de uma pessoa de verdade! Deixem-se encantar....


FRITTATA DE ESPINAFRES E QUEIJO FETA
(Ligeiramente adaptado do Livro Dias com Mafalda, Mafalda Pinto Leite)
Tempo de preparação: 40 minutos;
Serve: 4 pessoas;
  • 6 ovos;
  • 125 ml de natas;
  • 3 colheres de queijo parmesão;
  • 2 dentes de alho esmagados;
  • 150 gr de espinafres;
  • 150 gr de cubos de fiambre;
  • 100 gr de queijo feta;
  • 250 gr de tomate cereja;
  • 1 mão cheia de folhas de manjericão frescas;
  • sal e pimenta q.b.;

Modo de preparação:
  1. Pré- aqueça o forno a 190 Cº. Unte uma forma e forre-a com papel vegetal. Entretanto, parta os ovos para uma tijela grande, junte as natas, o queijo parmesão, o alho, tempre com sal e pimenta a gosto e misture todos os ingredientes batendo com um garfo.
  2. Disponha metade dos espinafres no fundo da forma, e de seguida metade dos cubos de fiambre, e alterne com mais uma camada de espinafre e de fiambre. Finalmente, esfarele o queijo feta e o tomate cereja cortado em metade, com a metade de dentro virada para cima.
  3. Esta é só uma das muitas propostas da Mafalda Pinto Leite que tormam os meus dias em dias maravilhosos, em dias de sabor!

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

No Line on the Horizon


Não é novidade que a teoria da separação dos poderes está a cair por terra, pelo menos em Portugal. Acho que até o próprio Montesquieu concordaria sem dificuldade com esta afirmação. E é fácil perceber porquê.  Basta olhar de relance para os títulos da imprensa que se atropelam amontoados na banca dos jornais. Com esta é que o Ilustre francês não contava. Nem ele, nem eu. O poder da comunicação social. Já ninguém quer ler ou ouvir, falar ou escrever sobre eleições, Presidente ou candidatos, subvenções ou campanhas. O tema hoje é outro. É aquele que a comunicação social quis que fosse. Despertou o País com um malabarismo mediático e deu voz a quem há muito já devia ter calado. Que os portugueses não confiavam nos Tribunais, na Justiça, nos Juízes, nos Magistrados do Ministério Público e nos Advogados, eu até já sabia. Mas que os portugueses em vez do sistema judicial, do Direito e do Processo, preferiam a comunicação social como instrumento de Justiça num Estado de Direito, com essa é que eu não contava. Nem eu, nem Montesquieu, que se visse o circo montado por este novo poder ficava, certamente, com cara de batata!


GNOCCHI DE ABÓBORA COM MOLHO DE TOMATE
Tempo de preparação:
Serve: 4 a 6 pessoas;

  • 700 gr de abóbora;
  • 600 gr de batata;
  • 400 gr de farinha + alguma extra se for necessário;
  • 2 gemas;
  • 2 colheres de sopa de manteiga;
  • uma mão cheia de salsa;
  • uma mão cheia de orégãos e tomilho;
  • 800 gr de tomate em pedaços;
  • 150 ml vinho tinto;
  • 1 cebola;
  • 2 colheres de sopa de azeite;
  • 1+2 dentes de alho;
  • sal e pimenta preta q.b.;
  • queijo parmesão q.b.;
Modo de preparação:
  1. Descasque a abóbora e as batatas e parta em cubos. Pique finamente um dente de alho. Leve a manteiga ao ao lume médio numa panela de fundo espesso, adicione o alho, a abóbora e a batata e deixe cozer. (não é necessário acrescentar água pois a abóbora liberta água suficiente para a batata cozer). Quando os legumes estiverem cozidos e a água evaporar, junte uma colher de sopa de salsa picada finamente e uma colher de sopa de orégãos e tomilho. Retire do lume.
  2. Junte as gemas e envolva e por fim junte a farinha. Vá envolvendo até obter uma massa leve. Se estiver pegajoso ( o que depende da água que os legumes libertam e do tamanho dos ovos, acho eu) junte um pouco mais de farinha até obter a consistência desejada.
  3. Enrole a massa em tiras compridas e corte os gnocchi em tiras, fazendo incisões com um garfo.
  4. Entretanto, leve uma panela ao lume com azeite, a cebola  e os restantes dentes de alho finamente picados. Assim que começar a cheirar bem, junte o tomate em pedaços e o vinho tinto. Tempere com sal e pimenta e deixe apurar.
  5. Finalmente, coza os gnocchi numa panela com água e sal a ferver, durante cerca de 2 a 3 minutos.
  6. Sirva com o molho de tomate, polvilhe com salsa e queijo parmesão e divirta-se, porque o circo está montado!

Nota: Este prato também funciona bem com algumas substituições: em vez da salsa também pode usar folhas de manjericão, se gostar; pode substituir o molho de tomate por um molho básico de natas e queijo, mais calórico, mas delicioso!

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Christmas Dream


Há Povos que consideram o sonho um recurso e fazem da criatividade a sua marca no Mundo.  Frases como " I have a dream" ou "Yes We can" tiveram a capacidade de encher de esperança e despertar o ser criativo de um povo.  Ao contrário, quando em épocas de crise outros povos abrem a cela e deixam sair à  rua a prudência, a desconfiança e o receio, a criatividade sentindo-se ameaçada, foge e esconde-se. Na tentativa de acelerar o ritmo do Mundo, talvez acreditando que a velocidade dos acontecimentos está em relação oposta com a criatividade, cada um de nós cria o menos possível e espera o mesmo dos outros. Restringe a sua actuação ao mínimo possível, à rotina, ao "só porque tem que ser". Não idealiza grandes, nem sequer pequenos, projectos, não acredita neles e vai mais longe: desdenha de quem o faz. Talvez seja por isso que o Natal deste ano seja, para mim, ainda mais especial. Porque me faz sonhar, porque me enche de esperança e optimismo. Porque traz luzinhas mil a sítios onde antes só havia escuridão, porque puxa as pessoas para às ruas outrora desertas e porque transforma o negro da crise em vermelho vivo! E a minha casa também!



CREME DE ABÓBORA E TOMATE
(ligeiramente adaptada do Livro Doze Meses na Cozinha)
Tempos de preparação: 4o minutos;
Serve: 4 a 6 pessoas;

  • 750 gr de abóbora descascada;
  • 10 colheres de sopa de tomate em pedaços;
  • 1 cebola grande;
  • 1 colher de sobremesa de açúcar;
  • 2 gemas;
  • 50 gr de manteiga;
  • 1 litro de água;
  • sal e pimenta preta q.b.
Modo de preparação:
  1. Corte a abóbora em cubos e a cebola em rodelas finas. Coloque numa panela a abóbora, a cebola e os pedaços de tomate. Leve a lume brando e deixe cozer durante cerca de 20 minutos. Assim que estiver cozido, passe com uma varinha mágica ou copo misturador e vá juntando a água a ferver, aos poucos, até obter a consistência desejada.
  2. Leve ao lume novamente e deixe ferver durante cerca de 2 minutos. Junte a manteiga e as gemas batidas, com cuidado e mexendo sempre para que fique tudo muito bem ligado.
  3. Sirva com croutons ou polvilhe com salsa se gostar e aproveite bem esta época de sonho e puxe pela sua criatividade para fazer o Mundo pular e avançar!

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Heroes





Mesmo o português mais lunático não consegue certamente evitar pensamentos soltos acerca da crise.  Com a cabeça colada às noticias, que própria crise fabrica, qual Camões com um dos olhos tapados, o lunático português só vê meia verdade. Ou só vê a metade que quer ver. Insiste, debate e discute o lado financeiro e económico da crise. Iludido, ouve economistas com atenção e, mesmo sem perceber patavina daquilo que escuta, crê nas soluções financeiras que lhe apresentam. Acusa e culpabiliza políticos. Acomoda-se. Suspira e acaricia as contas gastas do seu  rosário, enquanto suplica por um Novo Salvador. Aguarda por D. Sebastião.  Mesmo o português mais lunático recusa-se a aceitar a sua responsabilidade na crise. Não se interroga. Não se questiona sobre as suas atitudes. Escolhe acreditar em heróis de capa e espada e continua com um dos olhos vendados. E espera que tudo mude, enquanto continua a viver no Mundo da Lua.

FILETES DE PESCADA COM PURÉ DE GRÃO
(Adaptado do Livro "Cozinha para Quem quer Poupar" de Mafalda Pinto Leite)
Tempo de preparação: 15 minutos (mais ou menos)
Serve: 4 pessoas;

  • 4 filetes de pescada (ou outro peixe branco)
  • 2 colheres de sopa de azeite + extra para pincelar;
  • 1 cebola média;
  • 1 dente de alho;
  • uma mão cheia de salsa;
  • 250 ml de água (ou de caldo de galinha);
  • 2 colheres de chá de cominhos;
  • 1 colher de sopa de sumo de limão;
  • 2 latas de grão cozido;
  • 150 gr de tomate cereja;
  • 100 gr de folhas de espinafres arranjados;
  • 2 colheres de sopa de sementes de sésamo para servir (eu usei pretas);
Modo de preparação:
  1. Pique finamente o alho e a cebola. Coloque duas colheres de sopa de azeite num tacho, acresente o alho e a cebola picados e os cominhos. Leve ao lume cerca de 1 minuto e junte o grão cozido. Cubra com água e deixe ferver, cerca de 8 minutos. Retire do lume e junte o sumo de limão e a salsa. Triture num robot de cozinha, ou com uma varinha mágica, até ficar um puré homogéneo.
  2. Entretanto, tempere os filetes de pescada com sal e pimenta a gosto e pincele ambos os lados com azeite. Aqueça uma frigideira anti-aderente em lume bem alto e coloque os filetes deixando cerca de 1 a 2 minutos. Retire e reserve.
  3. Para servir, disponha o puré de grão, seguido de tomate cereja e salpicado com folhas de espinafres. Polvilhe com sementes de sésamo e regue com um fio de azeite e sirva imediatamente....