
Longe vai o tempo em que só se cozia Pão uma vez na semana. O "Pão nosso de cada dia" era benzido antes de ir para o forno, retirado com cuidado, embrulhado com candura, guardado em sigilo e venerado na mesa. Num País onde o Pão é quase uma religião, "não há mesa sem Pão", nem que seja "o que o Diabo amassou". Cada região tem o seu e faz gala disso. Não há açorda sem Pão Alentejano, nem sarrabulho sem Broa. Nas romarias é Rei, com fêveras ou sardinhas, nos banquetes é Príncipe com miniaturas de preguinhos. E, perdoem-me os franceses, pois Deus sabe o que gosto de baguettes, mas não há como o Pão de Mafra ou a Broa de Avintes. Mas, neste País em que uma Padeira fez história, e uma Rainha fez milagres, já não se coze Pão uma vez na semana. Coze-se todos os dias e a cada cinco minutos. Um Pão sem alma, e sem sabor, que chega congelado em tabuleiros ordenados, e parte em sacos de papel impessoais. Bem sei que ao aroma do Pão quente ninguém consegue resistir, mas a verdade é que o sabor não nos pode enganar! Custa-me ver que há cada vez menos padarias, que os portugueses sucumbiram ao pão mole ensacado, enriquecido e conservado. Eu adoro Pão. Pão a sério, que deixa migalhas quando se parte e deixa saudades quando não há. Gosto do pão tradicional, fresco ou torrado com manteiga. Mas também gosto do Pão moderno, com mil sabores a acompanhar. Esta é uma das minhas receitas de pão predilecta...espero que gostem!


PÃO DE TOMATE SECO E ALECRIM
Tempo de preparação: 15 minutos + 90+45 minutos de levedura + 20 minutos de cozedura;
Serve: 12 pães;
15 gr de fermento de padeiro;
15 gr de açúcar;
15 gr de sal;
300 ml de água;
500 gr farinha sem fermento;
2 colheres de sopa de alecrim;
10 tomates secos cortados em pedaços;
Modo de preparação:
Dissolva o fermento e o açúcar na água morna. Atenção à temperatura da água, pois se estiver muito quente impede que o fermento exerça a sua função. Tape com um pano húmido e deixe repousar durante 5 minutos ou até que apareçam borbulhas na superfície;
De seguida, numa tigela grande, misture a farinha com o sal, o tomate seco e o alecrim, cortados. Faça uma cova no centro e deite a água com o açúcar e o fermento. Faça movimentos rápidos para misturar tudo.
Deite esta mistura numa superfície limpa e amasse durante cerca de 10 minutos. Ajuste com mais farinha se lhe parecer necessário. Esta é a parte mais divertida! Se não achar graça nenhuma...utilize uma batedeira eléctrica na opção gancho.
Coloque a massa levemente enfarinhada numa tigela. Dê uns golpes na massa e cubra a tigela com película aderente. Deixe repousar em local quente durante 60-90 minutos, ou até que duplique o seu tamanho.
Depois de ter duplicado o seu tamanho, divida a massa em mais ou menos 12 porções, com o mesmo peso. Lembre-se que vão duplicar de tamanho! Com as mãos, forme rolinhos que serão pequenos pães. Polvilhe um tabuleiro com farinha de milho e disponha os pães no tabuleiro enfarinhado, com distância entre eles suficiente para que não se colem quando crescerem. Coloque o tabuleiro num local resguardado de correntes de ar e tape com um pano. Deixe levedar cerca de 45 minutos ou até que o tamanho duplique.
Aqueça o forno a 230 Cº. Entretanto, pincele os pães com água e introduza-os no forno. Um truque que utilizo para que os pães fiquem dourados é colocar uma travessa com água a ferver dentro do forno. Só assim consigo gerar a humidade típica dos fornos industriais das padarias. Sem este truque, os pães ficam cozidos e saboreados, mas não lindos, dourados e estaladiços.
Coza os pães durante cerca de 25 minutos ou até que fiquem dourados. Saboreie pão acabado de fazer...com alma e sabor!