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quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Closer to the Edge


Aos domingos consentia almoçar com a família do marido. Lembrava-se bem do dia em que os tinha conhecido. O ar emproado da sogra, o azedume do sogro, o pedantismo das cunhadas. Todos os domingos Teresinha sentia os mesmos olhares pesados do primeiro dia. Hoje está frio, hoje está sol, hoje está calor, hoje chove. Sempre as mesmas frases, a mesma sala de lustre de pingos de cristal, a mesma toalha de linho branco. Forçava  uma delicadeza que não tinha enquanto partia a carne assada, mergulhando os olhos no molho pardo e concentrando-se em comer devagar. Enchia o prato com uma pirâmide de arroz, levava várias garfadas pequenas à boca em gestos mecânicos, disfarçando a tensão. Será que ninguém se dava conta daquela dor antiga? Sentada ao lado do marido, Teresinha dissimulava com mestria a antipatia que sentia por aquela família que não era a sua. Assim que serviam o café nas chaveninhas de porcelana azul, Teresinha suspirava de alivio. Ia mordiscando chocolates em forma de coração e dava por si a pensar que um dia, temia, o pior sucederia. A dor que lhe enchia o peito de vidros sairá em forma de vómito, sujará os pingos do lustre, a toalha de linho, as chaveninhas de porcelana azul. Um dia de domingo ao almoço o conto de fadas terminará e Teresinha ficará só, com a sua carruagem feita de abóbora.


STRUDEL DE ABÓBORA, NOZ E CANELA
(Adaptado do Livro "Iguarias Saudáveis de Isidora Popovic")
Tempo de preparação:5 minutos+ 25 minutos de cozedura
Serve: 4 pessoas;

  • 200 gr abóbora limpa e cortada em pedaços;
  • 50 gr de açúcar mascavado claro;
  • uma mão cheia de nozes;
  • 1/2 colher de café de canela;
  • 1/2 colher de café de all spice;
  • 8 folhas de massa filo;
  • óleo para pincelar;
  • açucar em pó;
Modo de preparação:
  1. Estenda uma folha de massa filo e pincele com óleo. Repita até ter todas as folhas em camadas.
  2. Entretanto, reduza a abóbora a puré e misture com o açúcar, as especiaires e as nozes grosseiramente picadas.
  3. Coloque uma camada de recheio na ponta das camadas de massa e vá enrolando, fechando com cuidado os topos do strudel para o molho não sair. Pincele o topo do strudel com um pouco mais de óleo.
  4. Leve ao forno pré-aquecido a 180cª cerca de 25 minutos, ou até estar dourado.
  5. Sirva polvilhado com açúcar em pó e acompanhado com gelado de nata, se gostar.

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Mútuo consentimento

Tinha dezoito anos quando a mãe a mandou para a casa dele servir.  Penteou com esmero o cabelo preto, prendeu-o na nuca e deixou-o cair numa trança larga sobre o desfiladeiro esguio das suas costas. Vestiu a melhor saia que tinha, calçou os seus únicos sapatos e pegou na mala de cartão velho, tal como a mãe ordenara.   O seu ar sério e submisso mal deixavam ver a rapariguinha que era.  Faz o que o senhor te mandar. E ela fazia. Mal o senhor apareceu detrás da pesada porta de acesso à Casa Grande, Ana soube que seria sua. E foi. Foi o amor do momento. Desse e de todos os que haviam de lhe seguir. Noite após noite, o senhor comandava-a para o leito, reclamando amor e carinho, ela obedecia sorrindo com os seus olhos cor de gelo. Aninhava-se junto a ele como um animal manso. Ficava acordada, a velar-lhe o sono, escutando-lhe o ressonar húmido, pausado, saciado. Tal como a mãe ordenara.  Ana  gastou a breve juventude a servi-lo. Na Casa Grande nunca ninguém via loiça por lavar, roupa por passar ou caça por amanhar. Ana trancava-se no caos da cozinha cheia de vapor, em pleno Verão, só para fazer um prato que o senhor gostasse. Um dia o senhor chegou a casa e anunciou que ia partir para o Brasil, não sabia quando voltava. Ana despediu-se e deixou-o ir. Acenou-lhe da janela e ainda lhe atirou um último beijo. Sem lamentos, sem lágrimas, tal como a mãe lhe ordenara.


LASANHA DE CARNE
Tempo de preparação: 1h 15 m
Serve: 4- 6 pessoas;

  • 2 colheres de sopa de azeite;
  • 25 + 75 gr de manteiga;
  • 75 gr de farinha;
  • 2 cebolas;
  • 1 folha de louro;
  • 100 ml de polpa de tomate;
  • 100 ml de vinho tinto;
  • 100 ml de caldo de carne;
  • 100+ 500 ml de leite;
  • 1 talo de aipo;
  • 1 cenoura;
  • uma mão cheia de salsa;
  • 2 dentes de alho;
  • 600 gr de carne de vaca magra;
  • 300 gr de queijo mozzarela;
  • queijo parmesão, q.b.;
  • placas de massa para lasanha ( frescas, de preferência)
  • sal, pimenta e noz moscada;


Modo de preparação:
  1. Pique finamente uma cebola, os dentes de alho, o aipo e a cenoura.
  2. Entretanto aqueça duas colheres de sopa de  azeite e 50 gr de manteiga em lume médio/forte e adicione a folha de louro, o aipo, o alho, a cenoura e a cebola e deixe cozinhar mexendo frequentemente, durante cerca de 5 minutos. Adicione a carne mexendo com um garfo para desfazer a carne e deixe cozinhar até a carne ganhar cor. Reduza o lume para médio e junte a polpa de tomate, mexendo sempre. Junte o vinho e o caldo de carne e baixe para lume brando. Deixe fervilhar meio tapado e vá juntando o leite ao poucos. Deixe cozinhar até engrossar, cerca de 45 minutos. Rectifique os temperos.
  3. Pré-aqueça o forno a 200 Cº. Entretanto, derreta 75 gr de manteiga em lume brando. Adicione a farinha e mexa até formar uma pasta. Cozinhe mexendo sempre, cerca de 2 minutos. Retire do lume e adicione os 700 ml de leite aos poucos até obter um molho cremoso. Leve a lume brando novamente, adicionando uma pitada de noz-moscada, uma folha de louro e uma cebola inteira, deixando borbulhar por alguns minutos. Reserve.
  4. Num prato de forno distribua duas ou três placas de massa de lasanha, conforme a capacidade do prato, cubra com carne picada, seguida de três ou quatro fatias de queijo mozzarella, queijo parmesão ralado, a gosto, e de molho branco. Vá alternando estas camadas até terminar. Cubra com molho branco e queijo.  Leve ao forno por cerca de 30 minutos ou até estar dourado. Sirva.


sexta-feira, 20 de maio de 2011

Cara de anjo mau

Li-o todo até ao fim. O estômago às cambalhotas e eu aqui sentada muito quietinha a ler. No peito um apertão, um nojo solidário. Logo hoje que está sol e é sexta-feira e o fim-de-semana cheira a festim. Estava tão bem quieta. Sem ler. Sem saber. Porque carga de água fui lê-lo? A identidade de género tem destas coisas. Nunca disse nada a ninguém, mas acho que foi por isso que quis ter uma filha. E tive. Obrigada, Meu Deus. Sempre tive medo do dois contra um. De me sentir sozinha, injustiçada, indefesa, incompreendida. Uma mulher comove-se com a dor de outra mulher. Eu comovo-me.  Se calhar foi por isso que fui ler. Estive quase um século a lê-lo.  Um circo inteiro a actuar dentro da tripa. Trapezistas, palhaços, elefantes, leões. E eu de boca fechada, com medo de jorrar um vómito. A imaginar porque carga de água não te comoveste. A imaginar-te vestida de preto, com a beca coçada, com cara de anjo mau.

PENNE COM BERINGELAS
Tempo de preparação: 20 minutos
Serve: 4 pessoas;

  • 2 beringelas grandes;
  • 400 gr de tomate pelado;
  • 450 gr de pene (ou outra massa curta);
  • 2 dentes de alho;
  • 1 malagueta seca;
  • uma mão cheia de azeitonas pretas;
  • uma mão cheia de salsa fresca;
  • 1 salpico de vinagre balsâmico, se gostar;
  • azeite, sal e pimenta preta moída;


Modo de preparação:
  1. Coza a massa até estar al dente. Escorra e reserve uma chávena de água da cozedura.
  2. Entretanto, corte as beringelas em quadrados de 1 cm. Leve uma panela ao lume com um fio de azeite, coloque os alhos esmagados, a malagueta e as beringelas. Quando as beringelas estiverem com cor, junte o tomate pelado partido em cubos com cerca de 1 cm e deixe apurar. 
  3. Junte as azeitonas. Tempere com sal e pimenta. Junte um pouco de água da cozedura se o molho estiver muito grosso. Salpique com o vinagre e junte o molho à massa cozida. Envolva bem. Polvilhe com salsa picada e queijo parmesão e sirva.

sexta-feira, 29 de abril de 2011

Love Song


Quem não gosta de uma bela história de amor? Um romance a sério, com zangas e separações, maus da fita e invejosos, boatos e  bulimia e tudo a que uma princesa moderna possa aspirar? Hoje, até o ser menos curioso, menos crente, menos aristocrata, menos fútil está estrábico. Um olho na vida de todos os dias, o outro em Kate e na fábula que a televisão torna real. Espreita, quase sem querer, um pedacinho dessa outra vida e sonha. Sonha com a filha dos empresários plebeus que, com as duas mãos que Deus lhes deu, subiram na escala social. Sonha em continuar a ser Povo que, com a nobreza do seu suor, trabalha, cria e empreende para um dia poder ter uma vida de Rei. Suspira por uniões improváveis e deseja que tudo acabe bem. Sonha e sorri, porque ninguém fica indiferente a uma história de amor.

FUSILLI COM GAMBAS, TOMATE E RÚCULA
Tempo de preparação: 25 minutos
Serve: 4 pessoas;

  • 450 gr de fusilli, ou outra massa da sua preferência;
  • 400 gr de gambas;
  • 3 dentes de alho;
  • 2 malaguetas secas;
  • 4 tomates secos;
  • 60 ml de espumante;
  • 6 colheres de sopa de polpa de tomate;
  • uma mão cheia de rúcula;
  • raspa de meio limão;
  • azeite, sal e pimenta preta;
Modo de preparação:
  1. Coza a massa até ficar al dente e reserve uma chávena de água da cozedura.
  2. Entretanto, descasque as gambas deixando apenas a cauda e faça um corte longitudinal, limpando-as. Coloque-as numa taça com um dente de alho picado, uma malagueta e tempere com sal. Reserve.
  3. Leve um fio de azeite ao lume, com os restantes dentes de alho, a malagueta, e o tomate seco picados. Junte o espumante e a polpa de tomate. Deixe apurar.
  4. Aqueça uma generosa quantidade de azeite e mergulhe as gambas durante cerca de 30 segundos e retire imediatamente.
  5. Junte a massa cozida ao molho quente e envolva bem. Junte a água da cozedura se lhe parecer necessário. Junte também as gambas, metade da rúcula grosseiramente rasgada, e a raspa de limão.
  6. Polvilhe com a restante rúcula e sirva imediatamente.

segunda-feira, 21 de março de 2011

30 Seconds to Mars




Não é fácil fazer previsões politicas. Não é fácil hoje, não será diferente amanhã. Uma coisa é certa: chegou o momento da crise. A única. A verdadeira. Aquela porque estávamos todos à espera. Vá lá, confessem. Estávamos todos à espera disto. Mais cedo, ou mais tarde. E agora? Afia-se a língua e cospem-se insultos. Pelo menos está sol. Brilha alto e aquece o corpo. Gosto deste País com sol. Fica mais fácil. Para a crise é igual. Imagino. Com chuva de certo era pior. Agora há que vestir gravata preta. Mesmo que ninguém queira dar condolências. Agora há que sacudir a água do capote, encontrar culpados. O(s) Mercado(s). Esse(s) velho(s) malvado(s). A oposição. O Diabo da Democracia tem destas coisa!. Mas está sol. Valha-nos isso. E nada como uma bela crise para se dizerem tristes verdades. Agudas, sonoras, que ferem os ouvidos. Mas está sol e em Democracia só se ouvem as verdades que votam. Não se ouvem as vozes que gritam ao longe....de Marte. 

PENNE COM PESTO DE PIMENTOS
(Adaptado do Livro "Massas de Eric Treuillé e Anna del Conte)
Tempo de preparação: 10 minutos, mais ou menos.
Serve: 4 pessoas;

  • 1 pimento vermelho;
  • 1 pimento verde;
  • 2 dentes de alho;
  • 5 colheres de sopa pinhões + extra para servir (de preferência torrados)
  • 5 colheres de sopa de azeite virgem extra;
  • 450 gr penne ( ou outra massa tipo tubo ou fita da sua preferência)
  • 1 colher de sopa de orégãos;
  • 1 colher de chá de piri-piri moído;
  • 1/2 colher de chá de vinagre balsâmico;
  • sal e pimenta preta moída na hora;
  • queijo parmesão para servir;
Modo de preparação:
  1. Asse os pimentos sobre uma grelha quente. Retire-lhes a pele e parta-os em pedaços retirando as sementes.
  2. Coloque os pinhões, o alho, os pinhões torrados, o piri-piri, o vinagre e o azeite num robot de cozinha e triture até obter uma mistura cremosa. Reserve.
  3. Entretanto coza a massa al dente, reservando 1 chávena de água da cozedura. Escorra a massa e reserve.
  4. Leve o pesto ao lume na panela ainda quente juntando a água da cozedura da massa conforme necessário e por fim a massa. Polvilhe com orégãos e sirva imediatamente com queijo parmesão ralado na hora.

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

The Book of Love

Chego a casa de revista debaixo do braço. Outra? Mais outra, aliás. Não sei quando é que isto vai parar. Nem eu. Mas por agora também não me interessa. Chegou um pacotinho para ti. Outro? Mais outro. Amontoam-se, acotovelam-se, atropelam-se à procura de um lugar de destaque. Como é que é possível que haja tanta gente a escrever sobre comida? Fico pasmada, a admirar, a devorar a imaginar. Fico cercada:  mãos ao alto! Livros, revistas, destacáveis, desdobráveis, panfletos, eu sei lá, o raio que me parta! A culpa não é deles, dos que escrevem. A culpa é minha que não lhes consigo resistir e depois fico assim. Cercada, sem saber por onde ir. Folheio, procuro, marco. Hoje não. Não me interessa. Interessa-me uma receita antiga, do caderno da minha avó, daquelas que fazem parar o Inverno. Interessa-me uma receita sem imagens, sem glossário, sem tradução, sem medidas convertidas. Hoje interessa-me uma pitada disto e mais outra daquilo,  daquelas que se que se fazem assim, sem ler um livro ou uma revista. Daquelas que se fazem só com amor. 


ALMÔNDEGAS DE CARNE DE VACA COM QUEIJO FETA
Tempo de preparação: 10 minutos + 15 minutos de cozedura;
Serve: 4 a 6 pessoas;
  • 800 gr de carne de vaca picada;
  • 1 mão cheia de salsa;
  • 1 colher de chá de oregãos;
  • 50 gr de queijo feta;
  • 1 ovo;
  • 2 dentes de alho esmagados;
  • 2 colheres de sopa de azeite;
  • 1 cebola média;
  • 150 ml de caldo de carne;
  • 400 gr de tomate pelado;
  • 2 folhas de louro;
  • farinha q.b;
  • sal, pimenta e queijo parmesão q.b.;
Modo de preparação:
  1. Misturar muito bem a carne picada, o queijo feta, os oregãos, a salsa picada, o alho esmagado e ovo. Tempere com sal e pimenta a gosto. Com as mãos molhadas molde bolas de carne, todas com a mesma dimensão. Passe por farinha e reserve.
  2. Entretanto pique finanamente a cebola e o tomate pelado.
  3. Leve o azeite e as folhas de louro ao lume numa panela de fundo espesso e aloure a cebola e as almôndegas. Junte o tomate e o caldo de carne e reduza o lume. Deixe apurar o molho durante cerca de 15 minutos. Rectifique os temperos.
  4. Sirva com esparguete cozido al dente e polvilhe com queijo parmesão;

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

No Line on the Horizon


Não é novidade que a teoria da separação dos poderes está a cair por terra, pelo menos em Portugal. Acho que até o próprio Montesquieu concordaria sem dificuldade com esta afirmação. E é fácil perceber porquê.  Basta olhar de relance para os títulos da imprensa que se atropelam amontoados na banca dos jornais. Com esta é que o Ilustre francês não contava. Nem ele, nem eu. O poder da comunicação social. Já ninguém quer ler ou ouvir, falar ou escrever sobre eleições, Presidente ou candidatos, subvenções ou campanhas. O tema hoje é outro. É aquele que a comunicação social quis que fosse. Despertou o País com um malabarismo mediático e deu voz a quem há muito já devia ter calado. Que os portugueses não confiavam nos Tribunais, na Justiça, nos Juízes, nos Magistrados do Ministério Público e nos Advogados, eu até já sabia. Mas que os portugueses em vez do sistema judicial, do Direito e do Processo, preferiam a comunicação social como instrumento de Justiça num Estado de Direito, com essa é que eu não contava. Nem eu, nem Montesquieu, que se visse o circo montado por este novo poder ficava, certamente, com cara de batata!


GNOCCHI DE ABÓBORA COM MOLHO DE TOMATE
Tempo de preparação:
Serve: 4 a 6 pessoas;

  • 700 gr de abóbora;
  • 600 gr de batata;
  • 400 gr de farinha + alguma extra se for necessário;
  • 2 gemas;
  • 2 colheres de sopa de manteiga;
  • uma mão cheia de salsa;
  • uma mão cheia de orégãos e tomilho;
  • 800 gr de tomate em pedaços;
  • 150 ml vinho tinto;
  • 1 cebola;
  • 2 colheres de sopa de azeite;
  • 1+2 dentes de alho;
  • sal e pimenta preta q.b.;
  • queijo parmesão q.b.;
Modo de preparação:
  1. Descasque a abóbora e as batatas e parta em cubos. Pique finamente um dente de alho. Leve a manteiga ao ao lume médio numa panela de fundo espesso, adicione o alho, a abóbora e a batata e deixe cozer. (não é necessário acrescentar água pois a abóbora liberta água suficiente para a batata cozer). Quando os legumes estiverem cozidos e a água evaporar, junte uma colher de sopa de salsa picada finamente e uma colher de sopa de orégãos e tomilho. Retire do lume.
  2. Junte as gemas e envolva e por fim junte a farinha. Vá envolvendo até obter uma massa leve. Se estiver pegajoso ( o que depende da água que os legumes libertam e do tamanho dos ovos, acho eu) junte um pouco mais de farinha até obter a consistência desejada.
  3. Enrole a massa em tiras compridas e corte os gnocchi em tiras, fazendo incisões com um garfo.
  4. Entretanto, leve uma panela ao lume com azeite, a cebola  e os restantes dentes de alho finamente picados. Assim que começar a cheirar bem, junte o tomate em pedaços e o vinho tinto. Tempere com sal e pimenta e deixe apurar.
  5. Finalmente, coza os gnocchi numa panela com água e sal a ferver, durante cerca de 2 a 3 minutos.
  6. Sirva com o molho de tomate, polvilhe com salsa e queijo parmesão e divirta-se, porque o circo está montado!

Nota: Este prato também funciona bem com algumas substituições: em vez da salsa também pode usar folhas de manjericão, se gostar; pode substituir o molho de tomate por um molho básico de natas e queijo, mais calórico, mas delicioso!

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Just Breathe


Foi quando te vi junto à porta, com a tua sacola cor-de-rosa ao ombro, que finalmente percebi como tudo tinha começado. Parece que queres seguir-me o rasto nesse trilho que a vontade de ir não deixou o tempo apagar. E tens razão, a sério que sim, que eu também fui onde a vontade me levou. Fiz a minha sacola e fui. Saí porta fora e fui para a casa das Avós e das Tias. Trepei muros e abri portões  e fui para a casa das Vizinhas e das Amigas. E, quando esses Mundos já não me calavam a vontade, saltei fronteiras e atravessei oceanos e fui Mundo fora. E fui trazendo outros Mundos comigo. Por isso sei que tens razão em querer ir, mas eu, eu queria poder dar-te este Mundo e o outro, aqui, pertinho, pois tenho razão para não querer que tu vás.


MASSA COM AMEIJÔAS
(Adaptado do Livro "Jamie Oliver Regressa à Cozinha" de Jamie Oliver)
Tempo de preparação: 15 minutos, mais ou menos;
Serve: 4 pessoas;

  • 450 gr massa tipo spaghetti, linguini, bavette;
  • 700 gr ameijôas limpas;
  • 2 malaguetas frescas;
  • 120 ml de vinho branco;
  • 2 dentes de alho;
  • 3 colheres de sopa de azeite;
  • 3 colheres de sopa de manteiga;
  • uma mão cheia de salsa;
  • sal e pimenta preta moída na hora;
Modo de preparação:
  1. Coza a massa de acordo com as instruções da embalagem até ficar al dente.
  2. Entretanto, pique finamente os dentes de alho, as malaguetas frescas (retire as sementes) e a salsa. Leve uma frigideira grande a lume alto com o azeite e a manteiga. Adicione o alho e a malagueta e deixe alourar um pouco, até os aromas se misturarem. Junte as ameijôas e o vinho branco e tape. Deixe cozer durante 5 minutos, ou até as ameijôas abrirem. Deite fora as que não abrirem.
  3. Baixe o lume, junte a massa e a salsa e deixe cozinhar cerca de 1 minuto. Sirva imediatamente e respire fundo....enquanto vê os seus filhos crescer.

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

You´ve got to hide your love away

Ouvi os já habituais comentários sobre a greve geral. Como de costume, fiquei intrigada e não consegui evitar um leve sorriso de troça. Nunca gostei de números. Ensinaram-me que os números são o que são. Não se adjectivam, não se abrilhantam e ,só por si, raramente se interpretam. Talvez por isso me tenha deixado seduzir pelas figuras de estilo. Foi preciso crescer para perceber que afinal, os números também têm leituras diferentes consoante os olhos de quem os lê. Também se manipulam, também se enfeitam, e também confirmam apenas a realidade que quem os lê quer ver. É sempre o que acontece com os números da Greve. Há quem acredite que lendo os números de trás para a frente, ou de cima para baixo, altera a realidade. Há quem comente cinicamente sobre o sindicalismo, pensando que com as suas prepotentes leituras dos números, altera as somas das palavras. Dignidade, Protesto, Inconformismo são palavras que os números de ontem não conseguiram calar. Existem. São o que são. Não precisam de figuras de estilo. A sua soma aritmética é igual ao Protesto sindical. Nos dias que correm, em que já todos percebemos que a lógica dos direitos laborais só vale enquanto a lógica da economia deixar, protestar abertamente, sem vergonha, sem medo, é a única forma de expressão que resta a quem trabalha. Independentemente de profissão, de salário, de contrato, de horário e de quadrante politico. Acredito que, como já alguém escreveu por aí, "o protesto sindical é a única manifestação de força que equilibra e impede os desequilíbrios" do poder....por mais picante que ele seja!


FARFALE PICANTE COM BRÓCULOS E ANCHOVAS
(adaptado do Livro Na Cozinha com Jamie Oliver de Jamie Oliver)
Tempo de preparação : 15 minutos
Serve: 4 pessoas


  • 450 gr massa  farfale;
  • 2 dentes de alho;
  • 1 e 1/2 malagueta fresca sem sementes;
  • 15 filetes de anchovas;
  • 2 molhos de bróculos;
  • 2 colheres de sopa de azeite;
  • uma mão cheia de pinhões torrados;
  • sal e pimenta preta moída na hora;
  • queijo parmesão para servir ;
Modo de preparação:
  1. Numa panela com água a ferver, coza a massa com sal, segundo as instruções da embalagem.
  2. Entretanto, arranje os bróculos em raminhos e pique os caules finamente. Pique o alho e corte a malagueta em tiras finas. Leve uma frigideira ao lume com o azeite, a malagueta , as anchovas e o alho, e assim que ganhar cor e as anchovas se desfizerem, junte os bróculos, reduza o lume e deixe estufar, juntando um pouco de água da cozedura da massa.  Vá juntando um pouco mais de água da cozedura da massa se achar necessário. Quando os bróculos estiverem cozidos, esmague-os um pouco com um garfo. Reserve.
  3. Escorra a massa. Envolva a massa com o molho de bróculos picante e leve ao lume por um minuto. Tempere com pimenta preta, polvilhe com queijo parmesão e adicione os pinhões torrados.
  4. Sirva e não deixe de manifestar livremente aquilo em que acredita!

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Where all the good people go?



Dizem que a chamada classe média está a desaparecer. Eu tenho uma Amiga que discorda. Com seu sorriso característico - uma simbiose, quase perfeita, entre a troça e o triunfo - costuma afirmar, convictamente, que a classe média nunca desaparecerá. A classe média está a sofrer uma transformação, afirma. Passou de classe média a classe low cost. Uma classe social que procura sempre o melhor sem ter de pagar muito por isso. A classe low cost tem uma voracidade consumista crescente, procura alargar, indefinidamente, o leque de bens e serviços de luxo que a pode ter acesso a baixo custo. É uma classe com tendência natural para o consumo, e que não reconhece outros valores que não o baixo preço de um produto, acrescenta. Quanto a mim, não sei se a classe média está a desaparecer ou se está em mutação. Nem sequer sei se a classe low cost resulta de uma democratização dos bens e serviços, ou se é consequência natural do capitalismo. O que eu sei é que quando decido gastar o meu dinheiro num produto luxuoso e requintado, não é o preço que determina a minha escolha, é a qualidade. Acredito que a classe média esteja, hoje mais do que nunca, a consumir excessivamente. Mas, não creio que os seus valores se tenham alterado de tal forma que o preço baixo seja o único factor determinante das suas escolhas. De uma forma ou de outra, cozinhar em casa com requinte é um luxo acessível que eu gosto de ter. Será que isso faz de mim uma pessoa low cost? E vocês?


CANNELLONI DE ABÓBORA, RICOTA E ESPINAFRES
(Adaptada do Livro Dias com Mafalda, de Mafalda Pinto Leite)
Tempo de preparação: 45 minutos;
Serve: 4-6 pessoas;

  • 10 folhas de lasanha de massa fresca;
  • 400 gr de queijo ricota, ou requeijão;
  • 500 gr de espinafres;
  • 750 gr de abóbora;
  • 50 + 75 gr de manteiga;
  • 3 dentes de alho;
  • 75 gr queijo parmesão + 4 colheres de sopa extra para polvilhar;
  • 3 colheres de sopa de nozes inteiras+ 2 colher de nozes picadas extra;
  • 1 pitada de noz moscada;
  • 2 folhas de louro;
  • 750 ml de leite
  • 75 gr farinha;
  • 2 colheres de sopa de azeite;
  • uma mão cheia de oregãos;
  • sal e pimenta preta acabada de moer;
Modo de preparação:
  1. Corte a abóbora em cubos. Numa panela em lume médio, derreta a 50 gr de manteiga e adicione dois dentes de alho e a abóbora e deixe estufar por alguns minutos, até a abóbora estar mole. Tempere com sal, pimenta preta acabada de moer, noz moscada e oregãos e retire do lume quando estiver cozida. Deixe arrefecer ligeiramente.
  2. Entretanto, aqueça o azeite e um dente de alho e adicione os espinafres até murcharem e toda a água evaporar. Tempere com sal e pimenta e reserve.
  3. Num robot de cozinha bata a abóbora, as nozes, o queijo parmesão até ficar cremoso, mas ainda com alguns pedaços. Deite para uma tigela e misture com o queijo ricota.
  4. Aqueça o forno a 180cº e entretanto faça o molho branco. Leva os restantes 75 gr de manteiga ao lume médio. Assim que estiver derretida junte a farinha e mexa até ficar homogéneo. retire do lume e adicione ,aos poucos, o leite, mexendo para não formar grumos. Coloque o louro, uma pitada de noz-moscada e leve a ferver durante cerca de 5 minutos.
  5. Finalmente, estenda as folhas de lasanha e coloque uma camada de recheio de abóbora e ricota e uma camada de espinafres na ponta das folhas, enrolando para formar um cannelloni. Repita este processo até ter todas as folhas recheadas. Disponha-as num, prato de ri ao forno, cubra com o molho branco, polvilhe com queijo parmesão extra e nozes picadas, se gostar.
  6. Leve ao forno por 35 minutos, ou até estar dourado. Sirva acompanhado por um vinho da sua eleição, e aproveite uma refeição low cost!

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Where is my mind?


Não há dúvidas: cada louco com a sua mania . Eu sei que esta é uma ideia da sabedoria popular, mas não é por isso que deixa de ser verdadeira. Eu tenho, confessadamente, manias. Manias um pouco bizarras que facilmente me classificam como louca. Adivinho sobrancelhas franzidas e sorrisinhos malandros. Aquela malandrice inocente das crianças que até o olhar mais distraído é capaz de adivinhar. Não é caso para menos. Vou revelar-vos uma coisa: tenho a mania de que o Outono começa no primeiro dia de Outubro. Até vos digo mais. Basta virar a página do calendário para começar a sentir a brisa mais fria e os dias mais curtos. Manias, bem sei. Em Outubro, cheira-me sempre a castanhas e apetece-me comida suculenta e reconfortante. Ouço o estalar das folhas secas que piso, por graça, enquanto caminho pelas ruas de sempre. Vejo mil e uma cores de Outono em todo o lado e não consigo pensar noutra coisa que não seja em cogumelos e caça. A receita que vos deixo aqui neste primeiro dia do mês de OutonoOutubro, celebra a chegada desta estação, e celebra,sobretudo, as manias que fazem de todos nós um pouco loucos!

TAGLIATELLE COM CONFIT DE PATO E ESPINAFRES

(Adaptada de uma receita de Ratolo de Confit de Pato do Chef Camilo Jaña)
Tempo de preparação: 30 minutos;
Serve: 4 pessoas;


  • 400 gr tagliatelle;
  • 250 gr confit de pato desfiado;
  • 150 chalotas;
  • 1 talo de aipo;
  • 200 gr espinafres cozidos;
  • 30 gr de cogumelos porcini secos;
  • 3 colheres de sopa de azeite;
  • 1 dente alho;
  • sal e pimenta q.b.;
Modo de preparação:
  1. Comece por desfiar o confit de pato. De seguida, hidrate os cogumelos em água morna, deixe repousar uns minutos e depois escorra, removendo as impurezas.
  2. Coza a massa até ficar al dente. Entretanto, pique finamente o aipo, o alho, as chalotas, os espinafres e os cogumelos porcini. Deite numa panela e aqueça o azeite em lume médio alto, junte o alho, as chalotas e o aipo. Junte também os cogumelos e deixe alourar durante cerca de 5 minutos. Finalmente, acrescente o pato muito bem desfiado e os espinafres. Rectifique os temperos e reserve.
  3. Incorpore a mistura de cogumelos, legumes e pato na massa e sirva polvilhado com queijo parmesão ralado na hora, se gostar.
  4. Celebre a chegada do Outono e tudo que esta estação tem de bom!

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Laught about it

Tenho uma secreta admiração por pessoas organizadas. Não aquelas pessoas medianamente organizadas, como eu! Admiro as pessoas infalivelmente, metodicamente, matematicamente organizadas. Aquelas pessoas que não chegam sequer a abrir o último pacote de arroz, massa ou farinha. Aquelas pessoas que organizam antecipadamente os seus cardápios semanais e elaboram listas de compras, como quem resolve uma equação. Ai, se vocês soubessem como gostava de ser assim. Verdade seja dita: eu nunca tive grande queda para a matemática. Como em quase tudo na minha vida, também a minha despensa vive mais de prosa e poesia do que de ciência e método. Há dias de romance, dias de policial e também dias de comédia. Muitos. Muitos mais do que vocês possam imaginar, porque às vezes, tentando descobrir o que vai ser o meu jantar, olho para a minha despensa e minha organização desorganizada só me pode dar para rir!Posso ter seis pacotes de açúcar, mas não ter nenhum pacote de arroz. Nestes muitos dias de comédia, como o riso não me alimenta o corpo, e os ingredientes disponíveis são poucos, socorro-me destas formulas simples e convenço-me de que não preciso de implementar um método!


ESPARGUETE COM TOMATE SECO, CEBOLA VERMELHA E VINAGRE BALSÂMICO
(Ligeiramente adaptado do Livro The Return of the Naked Chef Jamie Oliver)
Tempo de preparação: 10 minutos
Serve: 4 pessoas
  • 450gr de esparguete;
  • 1 cebola vermelha;
  • 15 tomates secos, escorridos;
  • 8 colheres de sopa de azeite;
  • 3 colheres de sopa de vinagre balsâmico;
  • 2 colheres de sopa de oregãos secos, ou uma mão-cheia de folhas de manjericão fresco;
  • queijo parmesão ralado na hora, para servir;
  • sal e pimenta preta q.b.;

Modo de preparação:

  1. Coza a massa até ficar al dente. Entretanto, pique a cebola e o tomate.
  2. Leve ao lume uma frigideira com azeite e com a cebola picada. Deixe amolecer a cebola, e junte o tomate seco cortado, os oregãos e o vinagre balsâmico. Tempere com pimenta preta moída na hora.
  3. Envolva a massa no molho e sirva com queijo parmesão e ria-se de todos aqueles defeitos que sabe ser incapaz de mudar!

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Twist and Shout

Tudo começou com um pimento amarelo. Amarelo alaranjado. Há uns dias atrás, ofereceram-me uma caixa de pimentos. A caixa transportava belos pimentos verdes e vermelhos de diversos tamanhos. Para minha surpresa, escondido no meio da caixa de madeira estava um tímido pimento amarelo. A sua cor vibrante, amarelo alaranjado, o seu formato perfeito, o seu odor subtil chamaram de imediato a minha atenção. Já sabem que tenho esta relação palpitante com os alimentos. Inevitável. Que me desculpem os outros pimentos, mas os verdes e vermelhos, ao lado daquele pimento amarelo alaranjado, pareciam-me quase pálidos, toscos e desinteressantes. Sem discriminações, acomodei todos os pimentos no meu frigorífico. Mas, foi aquele pimento amarelo alaranjado que me fez ir fuçar nos meus livros à procura de uma receita que fosse perfeita para o saborear. Nada. Nada de nada. De repente, lembrei-me desta salada da Mafalda Pinto Leite, que adoro - a salada e a Chef, mas isso fica para outro dia. Resolvi dar-lhe o meu twist pessoal e convertê-la na salada perfeita numa das saladas perfeitas para pimentos amarelos alaranjados! Ficou de gritos.....acho eu!


SALADA PICANTE DE MASSA, ATUM E ESPINAFRES
Tempo de preparação: 15 minutos;
Serve: 4 pessoas;
  • 400 gr de fusilli integral*;
  • 1 frasco com 4 filetes de atum;
  • Raspa e sumo de um limão;
  • 2 malaguetas frescas, só algumas sementes;
  • 1 pimento amarelo;
  • uma mão cheia de coentros;
  • 1 dente de alho;
  • 75 gr de folhas de espinafres;
  • sal e pimenta q.b.;
Modo de preparação:
  1. Coza a massa em água a ferver com uma pitada de sal até ficar al dente. Escorra e guarde 250 ml da água da cozedura da massa.
  2. Entretanto, pique as malaguetas, o pimento amarelo e os coentros.
  3. Aqueça a mesma panela onde a msasa cozeu em lume médio. Adicione os filetes de atum, as maleguetas, algumas sementes de malagueta, o dente de alho esmagado, o pimento, a raspa e o sumo de limão e os coentros e mexa desfazendo o atum durante cerca de 2 minutos.
  4. Adicione a massa cozida e os 250 ml de água da cozedura da massa. Retire do lume e adicione os espinafres. Envolva com cuidado para não quebrar os espinafres. Tempere com sal, pimenta e um fio de azeite se desejar.
  5. É de gritos ou não é?

NOTA: * Quem não gostar de massa integral pode utilizar massa normal. Apenas recomendo que tenha em atenção ao tempo de cozedura, pois para utilizar em saladas convém que a massa esteja mais rija dando melhor textura à salada.