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quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Learn to fly


Agosto está de partida. Em menos de vinte e quatro horas esta casa mergulhará em silêncio. Um silêncio tumular, obrigatório, contido, como se todas as horas do dia fossem hora de sesta. Tudo calado. Sou intransigente com a hora da sesta. Shiiiu. Mas, mamã eu não quero dormir a sesta. Shiiuu. Adoro a hora da sesta. Puro egoísmo, confesso. Adoro enfiar-me ao teu lado  nesta caminha branca de cordeirinhos recortados. Tapo-me com a colcha colorida e aconchego-me na maciez da tua pele. Adoro ficar aqui encaixada em ti, como se ainda  fossemos duas peças do mesmo puzzle. Agarrar-te, beijar-te e segurar o cordão bem preso, meu pequenino. Shiiuu. Escuto a tua respiração sincopada, sinto a tua pressa de viver. não quero dormir mamã. Lá fora um passarinho pequeno pia baixinho, manso, a lembrar-me de que tu, um dia, também vais querer voar.


PATANISCAS DE BACALHAU E AZEITONAS
Tempo de preparação: 10 minutos + 30 minutos de fritura;
Serve: 6-8 pessoas;

  • 3 postas de bacalhau grosso (cerca de 500 gr);
  • 250 gr de farinha;
  • 4 ovos;
  • 1 colher de chá de fermento em pó;
  • 1 cebola grande;
  • 2 dentes de alho;
  • 30 azeitonas pretas, mais ou menos;
  • uma mão cheia de salsa;
  • sal e pimenta preta;
  • óleo para fritar;
Modo de preparação:
  1. Pique finamente a cebola, os dentes de alho e a salsa.
  2. Desfaça o bacalhau em lascas, não muito finas. Parta as azeitonas em rodelas ou em pedaços, como preferir.
  3. Entretanto, numa tigela grande misture os ovos batidos com a farinha e o fermento até obter um polme homogéneo. Acrescente os restantes ingredientes e envolva bem. Tempere a gosto com sal e pimenta.
  4. Coloque uma colher de sobremesa de massa a fritar no óleo quente por uns minutos deixando dourar de ambos os lados. Retire e deixe repousar em papel absorvente até à hora de servir.

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Every Teardrop Is A Waterfall

Não aconteceu em vão, aconteceu porque tinha que ser. Repete esta frase vezes sem conta enquanto enfia os dedos gordos na lata onde guarda a farinha. Consola-se a pensar em gente moribunda, mutilada, doente, pegajosa. De repente, parece que a guerra de longe está ali, a bater-lhe à porta. E ela serena. Aconteceu assim porque tinha que ser. Afasta os cacarecos que tem em cima da bancada preta da cozinha e guarda com cuidado os naperons de linho grosso. Uma exposição de mau gosto que visita todos os dias. Vai amassando o pão com força, em jeito de disfarce para o fastio que sente pela sua vida medíocre. Um cheiro morno a alecrim inunda a casa enorme. Abre a boquinha pequena para soltar um grito áspero.  Faltará sal ou azeite. Em quarenta e dois anos nunca o marido lhe elogiou o estilo culinário. Senta-se à frente dele e mastiga em silêncio. Olha-o com uma pontinha de emoção. Casou-se com ele porque tinha que ser. Álvaro abre a boca e deixa escapar, como se deixasse cair uma moeda da algibeira, está muito bom. Lágrimas redondas e salgadas rolam-lhe pela face. Três. Três lágrimas.

FOCACCIA DE AZEITONAS E ALECRIM
(ligeiramente adaptada daqui)
Serve: 1 focaccia grande;
Tempo de preparação: 15+ 45+ 30 ( levedura) + 30 (cozedura)

  • 430gr de farinha;
  • 2 colheres de sopa de alecrim + 2 hastes para decorar;
  • 7gr de fermento instantaneo seco;
  • 1 colher de chá de sal + extra para polvilhar;´
  • 1 colher de chá de mel;
  • 300ml de água morna;
  • 1 + 2 colheres de sopa de azeite;
  • 20 azeitonas pretas sem caroço;
Modo de preparação:
  1. Numa tigela grande, misture a farinha, o alecrim, o sal e uma colher de azeite. Mexa para incorporar os ingredientes.
  2. Entretanto misture a água morna com o fermento e o mel. Aguarde até que se formem bolhas à superficie. Faça uma cova no centro da farinha e misture com uma colher de pau até que uma massa se  comece a formar. Transfira para uma superfície levemente enfarinhada cerca de 10 minutos. Como esta massa é muito macia e  um pouco pegajosa, pode optar por sova-la numa batedeira electrica durante cerca de 10 minutos.
  3. Faça uma bola com a massa e coloque em uma tigela grande, levemente untada com azeite e enfarinhe a superficie. Cubra com pelicula aderente e deixe levedar cerca de 45 minutos ou até que dobre o seu tamanho.
  4. Unte com azeite uma assadeira grande, de beiradas baixas. Transfira a massa para a assadeira e pressione levemente para retirar o excesso de ar. Dê à massa um formato ovalado, fazendo que com que tenha aproximadamente 2cm de espessura e 25cm de comprimento. Pincele levemente com azeite e cubra novamente com pelicula aderente. Deixe levedar ela segunda vez, durante cerca de  por cerca de 30 minutos ou até que duplique novament eo tamanho.
  5. Pré-aqueça o forno a 220°C. Retire a pelicula aderente da focaccia. Polvilhe com farinha as pontas dos seus três dedos centrais de uma das mãos e faça furinhos em toda a extensão da massa (sem deixar que atravessem o fundo). Pressione pedaços de azeitona nos buracos. Pincele a massa com 2 colheres de sopa de azeite e pressione raminhos de alecrim na massa e polvilhe com sal grosso.
  6. Deixe cozer até que o topo da foccacia fique dourado, cerca de 25 minutos. Retire do forno e sirva ainda morna.
NOTA: Esta receita participa no desafio do 3º aniversário do blogue Figo Lampo. Longa Vida ao Figo Lampo e muitos parabéns!

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

That´s Life


Ultimamente tenho pensado muito acerca da felicidade e de qual o caminho a percorrer para a encontrar. Onde descobrimos a felicidade que estamos à espera? Num novo par de sapatos , num destino paradisíaco de férias ou num jantar de sábado à noite? Podemos programar a felicidade? Tenho observado que as pessoas procuram compulsivamente a felicidade de forma obsessiva, exaustiva, esgotante. Muitos tentam programa-la, relegando a felicidade para certas alturas do ano, conformando-se com pequenos salpicos de alegria qual tempero da vida. Outros tentam apropriar-se dela, procurando encontra-la na riqueza, nos bens de consumo, e na satisfação das necessidades que, acreditando serem as suas, vão multiplicando. Acredito que a felicidade esteja na vida. Todos os dias, a cada momento. Uns dias mais, outros menos. Ás vezes sozinhos, outras acompanhados. Fatigados de procurar, esbarramos na felicidade , tropeçamos nela, sem nos darmos conta. Encontramos a felicidade quando apreendemos a apreciar a nossa vida! Uma das coisas que traz felicidade aos meus dias é, como sabem, cozinhar...hoje chegou levemente com esta entrada. Espero que vos faça felizes também....


CROSTINI DE BACALHAU
Tempo de preparação: 15 minutos (mais ou menos)
Serve:8 crostini
  • 8 fatias do seu pão preferido;
  • 1 dente de alho;
  • 1 alho francês pequeno;
  • 1 cenoura pequena;
  • 60 ml de espumante;
  • 1 posta de bacalhau demolhado média;
  • 1 colher de sopa de azeite + extra para regar;
  • uma mão cheia de salsa;
  • 1 folha de louro;
  • 12 azeitonas pretas sem caroço;
  • 300 ml leite;
  • sal e pimenta preta;

Modo de preparação:
  1. Aqueça a grelha do forno a 200 Cº. Entretanto, corte fatias de pão com cerca de 1 cm. Disponha-as num tabuleiro e leve ao forno, cerca de 3 minutos, ou até estarem douradas e estaladiças. Retire do forno e esfregue o dente de alho nas fatias de pão. Reserve.
  2. Descasque a cenoura e corte com um ralador médio. Corte o alho francês em tiras. Coloque uma panela com uma colher de sopa de azeite ao lume médio. Introduza a folha de louro e os legumes, regue com o espumante e tempere com sal e pimenta preta a gosto. Deixe estufar cerca de 5 minutos, ou até que os legumes estejam cozidos.
  3. Enquanto os legumes cozinham, ferva o leite com a posta de bacalhau, durante cerca de 3 minutos. Retire do lume e deixe esfriar. Assim que arrefecer, desfaça a posta de bacalhau em lascas. 
  4. Pique grosseiramente as azeitonas e a salsa.
  5. Antes de servir, coloque sobre uma fatia de pão uma camada de legumes, algumas lascas de bacalhau e polvilhe com azeitonas e salva. Finalize com um fio de azeite.
  6. Sirva e aprecie a vida....

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Le monde

Estamos todos de acordo. No final das férias, por mais longas que sejam, regressar ao trabalho e à rotina custa. Custa e entristece. Mas também não é caso para tanto. Basta pensar que se estivéssemos onze meses de férias e trabalhássemos apenas um, o sentimento seria contrário. Vale aqui o velho ditado "tudo que é demais enjoa". Bem sei que isto quase parece coisa de senhora de idade que, na vã tentativa de consolar qualquer mal-estar duma jovem confidente, diz "ai rapariga, deixa lá isso, eu queria era ter a tua idade". Esta absoluta relação de comparação entre as coisas torna o Mundo uma rede de contrastes e opostos. O ócio só existe por comparação com o trabalho, o prazer por comparação com a dor, o descanso por comparação com o cansaço e assim sucessivamente. É exactamente esta tela pincelada pelas cores contrastantes das adversidades que faz do Mundo um lugar diversificado e interessante. Se não existissem contrastes, não distinguíamos os dias das noites, o calor do frio, a fome da saciedade. Não distinguíamos os cheiros, nem os sabores, nem as cores e não conseguíamos sequer ler esta patética teoria de quem está há um mês a tentar esquecer as férias, mas ainda não conseguiu!
COUSCOUS COM ATUM, TOMATE E ESPINAFRES
(Adaptada da Revista BlueCooking)
Tempo de preparação: 20 minutos;
Serve: 2-4 pessoas;

  • 2 chávenas de couscous;
  • 2 chávenas de água;
  • 4 filetes de Atum em conserva;
  • 2 chávenas de folhas de espinafres;
  • 150 gr de tomate cereja;
  • 50 gr de azeitonas verdes;
  • raspa de 1 limão;
  • coentros picados a gosto;
  • 4 colheres de sopa de azeite;
  • 2 colhres de sopa de vinagre balsâmico;
Modo de preparação:
  1. Coloque o couscous numa tigela e regue com a água a ferver e uma pitada de sal. Tape e deixe repousar durante 5 minutos.
  2. Entretanto, corte o tomate cereja e as azeitonas ao meio, e pique os coentros. Solte o couscous com um garfo e misture numa taça com as folhas de espinafre, o tomate, as azeitonas, os coentros e a raspa de limão.
  3. Prepare um molho vinagreta com o azeite, vinagre, pimenta preta e sal e tempere o couscous.
  4. Delicie-se com esta refeição de Verão contrastando com o Outono!



domingo, 22 de agosto de 2010

In Between


Azeitonas. É certo que entre Portugal e Espanha há muitas mais coisas em comum do que o gosto das suas gentes pelas azeitonas, mas hoje foi delas que me lembrei e é delas que vou falar. Entre os dois países, tantas vezes amigos, tantas vezes amantes e tantas vezes rivais, este é um petisco singular que se apresenta comum. Em Portugal, as azeitonas surgem como um sussurro, aparecem timidamente em cima da mesa antes de uma refeição principal, marinadas em azeite, ervas e alho vem para acompanhar o pão. Já em Espanha, as azeitonas gritam e impõem-se como o acepipe principal, recheadas com pimentos ou anchovas, surgem como uma acompanhante de luxo para quem saí de tapas em busca de uma copa de cerveja. A relação dos peninsulares com a as azeitonas não é fácil. É uma espécie de amor-ódio que se tenta gerir com moderação. Quem gosta, ADORA. Quem não gosta, ODEIA. E quem gosta, gostava de ser moderado e de conseguir não as comer compulsivamente. E quem gosta, gosta das pretas e das verdes, gostas das Alentejanas pequeninas, suaves, marinadas, e gosta das Espanholas carnudas, fortes, recheadas. Eu sou dos que gostam. E sou dos que não conseguem decidir entre umas e outras!



TAPENADE DE MANZANILLAS* VERDES:
Tempo de preparação: 3 minutos;
Serve: 6- 8 pessoas;

  • 150 gr de azeitonas manzanillas verdes recheadas com anchova;
  • 3 dentes de alho;
  • 4 filetes de anchova;
  • sumo de meio limão;
  • 1 colher de sopa de azeite;
  • 1/2 malagueta vermelha fresca, sem sementes;

Modo de preparação:

  1. Triturar todos os ingredientes num robot de cozinha. Temperar com o azeite e o sumo de limão. Servir com pão marroquino ou outro qualquer.
  2. Não perder tempo a tentar decidir se gosta mais de azeitonas ou de pasta de azeitonas e comer tudo até ao fim.......

NOTA:*A Azeitona manzanilla verde é de origem espanhola. A que usei nesta receita já tem recheio de anchova. Se não encontrar destas azeitonas utilize o dobro da quantidade de filetes de anchova.